Da redação
O Airbus A330 - modelo do avião do voo AF447 que desapareceu no Oceano Atlântico - sofreu panes anteriores em seus sistemas de velocidade. A informação foi confirmada hoje (06), em Paris, pelo Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA). Segundo os peritos, os três tubos de pitot - sensores que medem a velocidade do avião e orientam os demais sistemas eletrônicos - podem estar entre as origens da pane. A peça vem sendo substituída pela Air France e por outras companhias aéreas por recomendação da Airbus. Apesar da recomendação, o Airbus A330 da Air France ainda voava com os antigos.
Em seu segundo pronunciamento desde a abertura da investigação, o BEA deu três horas de coletiva - uma apenas para jornalistas brasileiros. Entre as diversas confirmações, a mais importante diz respeito aos tubos de pitot. De acordo com os especialistas, a análise das 24 mensagens automáticas enviadas pelo avião entre 23h10 e 23h14 apontou "incoerência da velocidade aferida". Esse erro, a princípio, é causado por divergência de análise das informações obtidas por tubos de pitot.
Airbus A330 têm três desses sensores idênticos. O cruzamento dos dados coletados por cada um deles fornece aos computadores de bordo a informação essencial para toda a eletrônica, como por exemplo a Air Data Inertial Reference Unit (Adiru), o sensor que regula a altitude da aeronave.
Coube a Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA e responsável pela investigação, reconhecer que a pane no sistema de pitot já causou outros incidentes. "Sobre o A330, foi de fato constatado um certo número de panes desse tipo. Houve incidentes que foram constatados e nós os analisamos. Nem todos esses incidentes levaram a perdas significativas de altitude dos aviões.
O que significa que o avião pode se recuperar rapidamente." Ainda conforme Arslanian, a performance dos tubos de pitot pode ser alterada por condições externas adversas. "A concepção desse sistema de velocidade é baseada em pressões.
É um sistema que trabalha em contato com o exterior. Logo, é sensível às poluições exteriores." Entre as "poluições exteriores" que poderiam ter causado a pane está, segundo o diretor do BEA, o congelamento dos tubos - um dado que reforça a hipótese da tempestade pela qual o voo AF447 atravessava tenha levado, indiretamente, à falha generalizada dos sistemas eletrônicos que orientavam a tripulação.
Os investigadores do escritório insistiram que a eventual falha dos pitots ainda não foi totalmente comprovada e reforçaram que, mesmo em circunstâncias de pane verificadas em modelos do Airbus A330, há chances de recuperação da estabilidade da aeronave. "Não quero que a resposta da minha resposta (a respeito das panes dos tubos) seja interpretada como uma conclusão de que houve um disfunção", reafirmou.
As suspeitas sobre a eventual falha dos tubos de pitot ganham força porque a Airbus recomendou a substituição da peça às companhias aéreas que têm seus aviões, segundo o BEA confirmou ontem. "Há programas de substituição dos equipamentos pelos fabricantes e exploradores (empresas aéreas)", disse Arslanian, pedindo que não se estabeleça por enquanto vínculos entre a medida e a queda do AF447. (informações do Estadão)