Da redação
Falhas no controle da importação de resíduos abre espaço para a entrada de lixo tóxico no Brasil. Segundo o presidente do Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni, consultor da ONU e do Banco Mundial, uma rede organizada opera dos países ricos para despachar ilegalmente material perigoso, como lixo hospitalar e tóxico, para o exterior.
"A destinação do lixo nos países ricos é responsabilidade do gerador e, hoje, com a lotação dos aterros e leis ambientais rígidas, ficou muito caro dar fim ao lixo tóxico. Isso impulsiona a exportação ilegal", diz. O pior: nos países receptores, onde o controle alfandegário costuma ser falho, o lixo acaba nos rios ou apodrece nos portos, como ocorre no Brasil com os mais de 20 contêineres contendo chumbo e cádmio, originários da Itália, Espanha e Estados Unidos, que apodrecem no Porto de Santos desde 2004. Parte dos 89 contêineres com mais de 1,7 toneladas de lixo encontrados neste porto, no de Rio Grande e em uma estação alfandegária de Caxias do Sul (RS) também estavam abandonados.
Calderoni acredita que o lixo tóxico venha "disfarçado" em contêineres com material para reciclagem. Parte da remeça encontrada no Brasil ia para a Central Brasileira de Reciclagem, de Guarulhos, que teria comprado plástico para reciclar da trade AlphaTech, mas recebeu, entre o material, lixo tóxico.
A CBR denunciou a fraude. "A maior parte da importação é feita por trader e isso nos preocupa porque não sabemos quem são os compradores e qual o destino real do lixo", diz Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria PET. (informações da Agência Estado)