Cidades

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Pesquisa comprova que favelas concentram mortes no Rio

Pesquisa comprova que favelas concentram mortes no Rio

Redação

01/08/2009 - 20h45
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        Da redação

        A faxineira Gracilene Rodrigues e o cantor Roberto Carlos são exemplos de moradores de dois extremos do Rio Ela vive na Favela Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, zona norte. Ele escolheu a Urca, na zona sul. Gracilene perdeu um de seus oito filhos assassinado com um tiro de fuzil no portão de casa, em dezembro, durante operação policial.
        O bairro de Gracilene apresentou a maior taxa de homicídios da cidade em estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foram 150 mortes em cinco anos (2002-2006), ou 163 casos por 100 mil habitantes. No mesmo período, dois moradores da Urca foram assassinados (taxa de 6 por 100 mil).
        O local de residência das vítimas foi o ponto de partida da economista Rute Imanishi Rodrigues, que analisou 11.255 registros de homicídio. Tudo começou com uma premissa: "É verdade que as vítimas da violência concentram-se nas favelas?" O resultado é um mapa com dados georreferenciados que aponta coincidência entre áreas de favelas e locais de maior concentração de vítimas.
        Para a cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, o trabalho representa um "marco crucial" nos estudos sobre violência urbana no Rio. "Aqui, nunca ninguém fez isso. É uma hipótese antiga, mas que ainda não tinha sido comprovada", diz, referindo-se à constatação do Ipea. "É incrível que o Rio, palco central do tema da violência no País, não tenha tido isso antes, por causa da precariedade dos dados oficiais.
        O que produz essa altíssima letalidade é a presença de grupos armados ilegais nesses locais." Rute identificou uma "grande mancha" de concentração de vítimas numa região formada por partes de 18 bairros e 53 favelas na zona norte, entre elas Juramento, Pedreira e União. Ali, vivem cerca de 250 mil pessoas e foi possível localizar 927 homicídios como pontos no mapa.
        O estudo mostra que as áreas mais violentas ficam em favelas maiores e mais antigas, principalmente no entorno delas. Para a economista, em vez de indicar a necessidade de mais repressão policial, o resultado aponta a importância de programas de planejamento urbano, habitação e desenvolvimento. "É preciso pensar no subúrbio. O objetivo é que se tente uma saída diferente."
        Na época da pesquisa, o Rio tinha 750 favelas cadastradas - hoje, são mais de mil. As áreas de maior concentração de vítimas praticamente se repetem nos cinco anos estudados. E a tabulação dos dados confirma o perfil principal das vítimas de homicídio: jovens (45% tinham entre 15 e 24 anos), do sexo masculino (94%), pretos ou pardos (64%) e de baixa escolaridade (64% não tinham completado o ensino fundamental).
        Outra mancha ininterrupta se estende do Morro do Alemão aos bairros de Olaria, Penha e Ramos, na zona norte. Há 22 favelas no entorno, entre elas Vila Cruzeiro e Nova Brasília. Na área, com 127 mil habitantes, foram identificados no mapa 274 homicídios. No entanto, a pesquisadora alerta que grande parte dos assassinatos ocorridos na região não pode ser localizada, por falta de informações como endereço, principalmente em Bonsucesso (onde foi possível apontar apenas 40 dos 150 registros no mapa).
        Numa região que corresponde a grande parte do complexo da Maré, a pesquisadora conseguiu localizar onde moravam 161 vítimas. A área tem 61 mil habitantes e reúne nove favelas. A exemplo do Alemão, não foi possível apontar no mapa 104 homicídios. Bonsucesso foi desmembrado em 1993 e uma parte de seus setores censitários formou dois novos, os complexos do Alemão e da Maré. "É muito provável que grande parte dos registros não geocodificados de Bonsucesso corresponda a endereços dos dois complexos, sobretudo do Alemão", diz Rute. (informações da Agência Estado)
        

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