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Jovens mortos em confronto não eram criminosos, diz família

Jovens mortos em confronto não eram criminosos, diz família

Redação

18/10/2009 - 08h14
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        Da redação

         

Nas estatísticas divulgadas nesse sábado pela Secretaria de Segurança, quatro jovens que estavam em um Peugeot preto metralhado por traficantes durante a invasão ao Morro dos Macacos foram chamados de bandidos. Mas nenhum deles tem anotação criminal, segundo o sistema da Polícia Civil, e todos tinham empregos fixos. Primos, os mecânicos Marcelo da Costa Ferreira Gomes, 26 anos, o auxiliar administrativo da Clínica São Victor Leonardo Fernandes Paulino, 27 anos, e o mecânico Francisco Ailton Vieira da Silva, 25 anos, morreram na hora. Irmão deste, o atendente do Habib's Francisco Alailton Vieira da Silva, 22 anos, permanecia em estado grave no Hospital do Andaraí até o fim da noite desse sábado.

Enquanto o secretário José Mariano Beltrame incluía o nome dos jovens na lista de bandidos mortos, um tio dos rapazes revoltava-se assistindo à entrevista na televisão. José Marconi Andrade, 48 anos, pegou um táxi e se dirigiu para a sede da secretaria em busca de justiça, mas foi barrado na porta. "Quero ver falar isso na minha frente. Eles eram trabalhadores de bem, estavam apenas comemorando a compra do carro", afirmou, abalado.

Nascidos e criados no Morro dos Macacos, os primos voltavam de uma festa, por volta das 2h, quando foram surpreendidos pelos invasores na Rua Senador Nabuco, na favela. Segundo testemunhas, o carro recém-comprado de Leonardo foi metralhado sem chance de defesa, e os rapazes ainda tiveram documentos e celulares roubados. "A polícia nem subiu para retirar os corpos dos meninos. Nós que descemos o morro com eles embalados em lençóis. Era um cenário de guerra, havia mais de 20 corpos espalhados pelo chão", disse um familiar, que pediu para não ser identificado. Leonardo comemoraria ontem o aniversário de 5 anos do filho com uma festa.

Outro morto no confronto, Alcinei de Oliveira Justino, 23 anos, também foi contabilizado pela polícia na lista de bandidos. Sua irmã, Marinéia, afirma que ele era servente de obras. "Morávamos juntos no Morro dos Macacos e ele trabalhava com meu marido", disse ela. Chocados, parentes dos jovens mortos passaram mal no Hospital do Andaraí e precisaram de atendimento médico. O enterro dos primos Marcelo, Leonardo e Francisco será hoje, às 15h, no Cemitério do Catumbi.

Com informações de O Dia Online

         

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