Da redação
O clássico italiano entre Internazionale e Roma, em Milão, escancara uma realidade inimaginável alguns anos atrás. Neste domingo, as metas de dois dos maiores e mais tradicionais times do país estarão sob responsabilidade de goleiros brasileiros. Julio Cesar e Doni, os favoritos da seleção brasileira do técnico Dunga, vão a campo para defender suas equipes e fazer valer uma tendência inaugurada na década de 1990 com Taffarel: a de que os homens de confiança made in Brasil são, sim, do tipo exportação.
É cada vez mais marcante a presença de goleiros brasileiros nos grandes clubes do futebol mundial. "Antigamente, o mercado europeu não se preocupava tanto com a defesa, mas com o espetáculo e a ginga do futebolista brasileiro. Depois, começaram a contratar volantes e beques, homens de marcação. Então, os empresários começaram a ver que os goleiros, os homens de confiança, também eram rentáveis e entraram nessa seara", analisa o técnico Emerson Leão, ex-goleiro que mais vestiu a camisa da seleção em Copas (1970/74/78/86).
Leão sustenta que o goleiro brasileiro sempre foi capacitado, só não tinha visibilidade suficiente para jogar fora do País. "Os grandes goleiros de antigamente atuariam tranquilamente nos melhores times do mundo hoje em dia", disse ele, que se orgulha por ter treinado arqueiros prestigiados. "A Roma, por exemplo, conta com três goleiros brasileiros (além de Doni, fazem parte do elenco Júlio César e Arthur). Treinei todos eles".
Reside justamente aí, no treinamento, a explicação de Valdir Joaquim de Moraes, uma das maiores referências em todos os tempos na posição de goleiro no Brasil. "O treinamento não pode ser igual ao dos demais jogadores", defendeu o hoje integrante da comissão técnica do Palmeiras, clube que defendeu por dez anos. "O treino especializado, do qual fui um dos pioneiros, se aprimorou muito. Antes, o chute a gol era o foco. Agora, nos clubes trabalha-se muito saída de gol, explosão. Simulamos situações de jogo", explicou.
"Não tenho dúvida de que o que abriu o mercado para o goleiro brasileiro no exterior foi essa evolução. Na Europa, por incrível que pareça, é onde há menos treinos específicos. A grande vitória foi dos goleiros brasileiros e de sua melhora significativa na parte técnica", disse o mestre, responsável por lançar, dentre outros, Rogério Ceni no titular do São Paulo, quando lá trabalhou ao lado de Telê Santana.
Tamanho respaldo poderá ser conferido neste domingo, às 17h45 (de Brasília), no estádio Giuseppe Meazza, com Julio Cesar de um lado e Doni de outro. "Isso é um prêmio para a nossa classe. Hoje, o goleiro brasileiro é reconhecido como um dos melhores do mundo", afirmou o titular da Roma. "Treinamos muito no Brasil e isso faz a diferença", atestou. "Veja que os goleiros brasileiros são titulares em três dos quatro maiores clubes italianos", afirmou, em referência a Dida, do Milan.
Também neste domingo, mais sete partidas completam a 12.ª rodada da competição. O destaque é o duelo entre Lazio e Milan, no estádio Olímpico, em Roma. Os outros jogos são: Bari x Livorno, Bologna x Palermo, Cagliari x Sampdoria, Genoa x Siena, Parma x Chievo Verona e Udinese x Fiorentina. (informações da Agência Estado)