Da redação
Líderes democratas afirmaram neste sábado que conseguiram assegurar os 60 votos necessários para garantir a aprovação, no Senado dos Estados Unidos, do projeto de lei de reformulação do sistema de saúde norte-americano.
O senador Ben Nelson, um democrata conservador por Nebraska, colocou um fim a sua resistência e concordou em dar o 60º e decisivo voto para a aprovação no Senado norte-americano da reforma do sistema de saúde, arrematando uma batalha que se estendeu por um ano e após uma barganha final perto do fim do prazo para que houvesse um avanço da reforma do sistema, uma das prioridades do governo de Barack Obama.
Segundo a comissão de orçamento do Congresso, a mais nova versão do projeto em tramitação no Senado custaria US$ 871 bilhões pelos próximos dez anos, US$ 23 bilhões a mais do que a versão anteriores, mas ainda abaixo do limite máximo de US$ 900 bilhões sugerido por Obama. Da mesma forma, a proposta reduziria em US$ 132 milhões o déficit americano ao longo da próxima década.
Nelson deu uma resposta breve - "sim" - quando foi questionado se apoiava a medida. Com esse voto, os aliados de Obama no Senado parecem a caminho de aprovar a legislação antes do Natal, superando a oposição republicana e os percalços das antecipadas tempestades de neve que atingem os EUA.
"Todos os democratas reconheceram que ela (a reforma) tinha que ser feita", disse o senador Charles Schumer, um democrata eleito pelo estado de Nova York que ajudou a alinhavar o acordo, fechado após a ala mais liberal fazer uma série de mudanças, incluindo concessões dadas a Nelson sobre restrições mais rígidas proibindo o uso dos planos de saúde adquiridos com subsídio do governo de cobrir abortos.
Na proposta em tramitação pelo Senado, os democratas propõem a elevação dos impostos em folha de pagamento sobre os americanos mais ricos e criam uma taxa de 10% sobre o bronzeamento artificial para ajudar a financiar as mais recentes mudanças na reforma. Ao mesmo tempo, a criação de uma taxa de 5% sobre cirurgias plásticas cosméticas foi retirada da proposta.
O líder da maioria no Senado, Harry Reid, eleito pelo estado de Nevada, participou de uma série de encontros com Nelson na noite de sexta-feira, quando uma tempestade de neve atingiu Washington O porta-voz de Reid, Jim Manley, afirmou que a sexta-feira foi um dia longo e intenso em negociações.
A legislação inclui novas restrições elaboradas para limitar os lucros das companhias seguradoras, obrigando as empresas a gastarem com assistência médica 80% dos prêmios com seguros individuais e 85% no caso de grupos assegurados.
Nelson havia levantado uma proposta de excluir as companhias seguradoras sem fins lucrativos de um imposto sobre a indústria, segundo pessoas envolvidas nas negociações.
Ele também tentava um caminho para atenuar a carga financeira que seria imposta ao Estado de Nebraska com a proposta de expansão do Medicaid, o programa federal de assistência de saúde para os pobres.(informações do Estadão)