Washington
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje (24) que a tendência de aumento do déficit em conta corrente não deve se sustentar. "O déficit tende a se ajustar e não deve continuar subindo", afirmou em entrevista na Embaixada do Brasil, em Washington. Mesmo com essa previsão otimista de mudança nas contas externas brasileiras, o presidente do BC admite que a situação de déficit requer atenção "Não estamos despreocupados".
O déficit em transações correntes acumulado no primeiro trimestre somou US$ 12,145 bilhões, o pior resultado da série do Banco Central - que começou em 1947 - para os primeiros três meses do ano. No primeiro trimestre do ano passado o déficit em transações correntes era quase três vezes menor (US$ 4,938 bilhões), o correspondente a 1,74% do PIB. Em 12 meses até março, o déficit subiu para US$ 31,509 bilhões, ou 1,79% do PIB
Meirelles acredita que o déficit em conta corrente deve parar de crescer a partir do momento em que a economia mundial se recuperar e aumentar a demanda. "Neste momento é normal que as importações estejam crescendo mais do que as exportações, mas isso deverá ser corrigido", disse. Além disso, Meirelles avalia que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) também vai crescer e que haverá uma "correção natural das taxas de câmbio".
O presidente do BC disse ainda não ver risco de uma crise cambial no País, ao contrário da previsão feita ontem (23), em entrevista, pelo deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que teve sua candidatura à Presidência praticamente descartada. Para Meirelles, a crise de 2008 teve dimensão maior do que a de 1929 e obviamente isso tem impacto no câmbio. No entanto, ele ressaltou que o Brasil se mostrou mais bem preparado para enfrentar crises, amparado pelo câmbio flutuante e reservas internacionais que estão atualmente ao redor de US$ 246 bilhões.
(Com informações da Agência Estado)