O foco do investidor na economia mundial e a percepção de que o Brasil não terá ruptura na política econômica, vença José Serra (PSDB) ou Dilma Rousseff (PT), tem feito a maioria das ações da Bovespa passar incólume ao cenário de eleições presidenciais. Mas a conversa não é tão simples quando se trata do setor elétrico.
Por razões distintas, estatais de energia têm concentrado as atenções de analistas sobre o futuro pós-eleições, seja pela expectativa de que as incertezas sobre elas cresçam, como Eletrobras, ou diminua, como Copel e Cesp.
"A eleição não é o único ?driver? no setor, mas sem dúvida entra na conta dos investidores", diz o diretor de pesquisa da corretora Geração Futuro, Vágner Salaverry.
Na Eletrobras, o temor é sobre como vai evoluir a partir de 2011 o interesse manifestado pelo atual governo de tornar a companhia uma "Petrobras" do setor elétrico. Um dos riscos é a empresa se envolver em investimentos que gerem retorno menor aos acionistas.
Mesmo com a promessa de ampliar a governança corporativa e melhorar o tratamento aos minoritários, a Eletrobras não conseguiu evitar que sua ação ordinária acumulasse uma queda de quase 13 por cento em 2010 até 22 de julho, contra variação negativa de 4,1 por cento do Ibovespa no período.
Já para Cesp e Copel a situação é outra.
A Cesp tem amargado penúria na bolsa em meio às arrastadas conversações entre os governos paulista, seu controlador, e federal pela renovação de concessões de hidrelétricas que vencem em 2015. A decisão ficará para o próximo governo. Assim como ela, outras estatais podem ser prejudicadas se, ao final dos contratos, a União optar por uma nova licitação.
Há ainda discussões em torno da privatização da geradora paulista, possibilidade que levou a Itaú Corretora a recentemente elevar a recomendação do papel para "overweight", por entender que discussões sobre o assunto devem turbinar o papel nos próximos meses.