As 20 bibliotecas da Indústria do Conhecimento do Sesi distribuídas por 16 cidades de Mato Grosso do Sul já se consolidaram como espaço de leitura, pesquisas e estudos para a população dos municípios beneficiados. Com a disponibilidade de empréstimos de livros, computadores conectados à Internet e aulas de informática oferecidas pelas equipes do Projeto Educação Continuada do Sesi, as unidades receberam, de janeiro a junho deste ano, quase 40 mil visitantes, o que representa uma média 7 mil atendimentos por mês e 300 por dia.
Ao longo desses três anos, a atual gestão do Sistema Fiems já inaugurou bibliotecas em Campo Grande (3), Três Lagoas (2), Dourados (2), Corumbá, São Gabriel do Oeste, Sidrolândia, Aquidauana, Ponta Porã, Ribas do Rio Pardo, Rio Verde, Naviraí, Nova Andradina, Costa Rica, Iguatemi, Bataguassu, Rio Brilhante. Além disso, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, já autorizou o início da construção de bibliotecas em Paranaíba, Inocência, Maracaju, Amambai e Chapadão do Sul. "Desde o início do ano, a nossa intenção era ampliar para 25 o número de bibliotecas do Sesi inauguradas no Estado, beneficiando o maior número possível de municípios", reforçou.
Sérgio Longen acrescenta ainda que desde o ano passado essas unidades da Indústria do Conhecimento do Sesi começaram a ser utilizadas para a realização de cursos gratuitos de qualificação profissional, contribuindo para aumentar o número de mão-de-obra qualificada para o setor industrial nos municípios beneficiados. "Construímos essas bibliotecas nos três primeiros anos da atual Diretoria do Sistema Fiems para levar aos municípios do nosso Estado mais educação e cultura, além dos empregos e da qualidade de vida disponibilizados pelas indústrias instaladas em Mato Grosso do Sul", completou.
Com o auxilio de monitores, os usuários de todas as unidades também podem participar de uma programação especial, como hora do conto e as rodas de leitura, entre outras atividades culturais. Ações que colocam as bibliotecas da Indústria do Conhecimento do Sesi do Estado em posição de destaque, integrando o grupo das poucas que oferecem atividades de extensão no Centro-Oeste, pois, segundo o censo realizado pelo MinC (Ministério da Cultura) em 2009, entre as bibliotecas públicas municipais da região 90% não oferecem atividades extras.
No município de Corumbá, a monitora Laura Helena Ferreira Pata revela que as atividades fazem a diferença na vida dos freqüentadores. "Realizamos vários trabalhos dirigidos para incentivar a leitura e isso fez com que o interesse pela leitura aumentasse. É possível verificar isso principalmente entre os estudantes, já os adultos que não têm hábitos de leitura acabem lendo também, ainda que pela internet", declarou.
Já em Ponta Porã, segundo a coordenadora de projetos Vera Lúcia Ribeiro Gomes, são realizados concursos como escritor mirim para a produção artesanal de livros e posterior exposição nas escolas. "Esses projetos atraem os freqüentadores, que também participam das rodas de leitura. Já com os adolescentes fazemos a leitura de livros básicos cobrados no vestibular e realizamos debates", enumerou.
Segundo a bibliotecária responsável pelas unidades de todo o Estado, Josiane de Oliveira, o Sesi oferece sugestões de atividades para as monitoras de cada biblioteca, mas existe liberdade para "o criar". "Sabemos que as atividades de incentivo à leitura atraem e agradam os usuários, sendo comuns nas unidades. Em algumas bibliotecas outras atividades também são realizadas como o clube de mães e grupo de idosos", declarou, sem contar que os locais também funcionam como ferramenta para os professores, pois, muitos aproveitam o espaço para realizar aulas.
Em Bataguassu, segundo a monitora Maria Socorro Carlos dos Santos, a biblioteca é muito utilizada pelos professores de diversas escolas do município. "É um ambiente acolhedor e com uma estrutura excelente. Os profissionais das escolas encontram aqui uma série de livros que podem ser trabalhados de várias formas com os alunos", disse.
Estrutura
A estrutura padrão das unidades também agrada aos moradores das cidades beneficiadas pelo Programa Indústria do Conhecimento do Sesi. Em Naviraí, por exemplo, Daniel Yuji Umemura, 53 anos, utiliza a biblioteca para estudar para concurso. "Aqui é muito quente na época do calor, mas dentro da biblioteca a temperatura é agradável por conta do ar-condicionado. Além disso, encontro todos os livros que preciso e faço amizades, já montamos, inclusive, um grupo de estudo", revelou.
A monitora do local, Selma de Oliveira Dantas, pontua que o ambiente acolhedor é propício para fazer novas amizades. "As pessoas que vem para a biblioteca o fazem com certa freqüência e eu também faço amizade com elas, já sabendo até o que elas gostam de ler", disse. Professores também utilizam o espaço para obter conhecimento e melhorar o conteúdo a ser trabalhado em sala de aula. Esse é o caso do educador Joaquim Pereira de Almeida, 35 anos, que freqüenta a biblioteca em Nova Andradina duas vezes por semana para fazer pesquisa em sociologia, filosofia e história. "Dou aula para os ensinos Fundamental e Médio e aproveito bem esse espaço, que é bem democrático, permitindo o acesso de todos", pontuou.
A estrutura das unidades favorece esse trabalho, pois elas são dotadas com acervo de 1,6 mil livros de diferentes níveis, dezenas de CDs e DVDs, além de dez computadores com acesso à Internet. Segundo o monitor da biblioteca de Nova Andradina, Carlos Diego Dantas, a internet é um grande atrativo para o público, pois, "quem não tinha acesso à informação digital, agora pode utilizar os computadores da biblioteca e acaba também lendo alguma coisa".
Para a pós-graduanda em Metodologia de Ensino, Francinete Maria Ribeiro Zucareli, 42 anos, ter à disposição um espaço para leitura e pesquisas é um incentivo a mais para continuar com os estudos. "Há algum tempo soube que havia uma Biblioteca da Indústria do Conhecimento do Sesi no Educandário Getúlio Vargas, em Campo Grande. Como o meu curso é a distância e preciso do acesso à Internet diariamente, encontro aqui o que preciso. Esse local é um exemplo, limpo, organizado, silencioso", avaliou.
Rosilene de Melo Oliveira Schwartz, monitora da biblioteca, destaca que como a unidade está entre uma escola e o Educandário, o público é formado, em sua maioria, por crianças e adolescentes. "Temos casos de adultos que vão ao local para estudar e temos também uma peculiaridade bem interessante. Os pais dessas crianças e adolescentes também freqüentam o local, a biblioteca tem desenvolvido um importante papel de fortalecimento do vínculo e afeto familiar", declarou, acrescentando que, diante desse cenário, atividades como palestras abordando essa temática também são realizadas no local.