A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que aos 42 anos de vida passa por crises de eficiência e credibilidade e teve sua diretoria reformulada na última semana, investiu, até junho, apenas 16% dos recursos autorizados no orçamento de 2010. O dado foi divulgado nesta semana pelo Ministério do Planejamento. Entre os problemas da empresa, há registros de atraso na entrega das correspondências, contratação de franqueados sem licitação e vagas abertas por programa de demissões voluntárias que continuam sem preenchimento. Dos R$ 640 milhões previstos para investimentos (execução de obras e compra de equipamento) da estatal neste ano, apenas R$ 99,5 milhões foram aplicados no primeiro semestre.
Entre janeiro e junho de 2009, o percentual de execução, em valores atualizados, foi ainda pior. Somente 12% dos R$ 789 milhões autorizados para a empresa responsável pela administração dos correios do país foram pagos. No primeiro semestre de 2008, a situação não mudou muito. Dos R$ 752,8 milhões estipulados no orçamento da ECT para investimentos, somente R$ 56,7 milhões foram aplicados no período, o equivalente a 8% (veja série histórica).
Desde 2003, a ECT anda a passos lentos quando o assunto é investimento. Neste período, a estatal desembolsou R$ 2,4 bilhões de um montante previsto de R$ 5,2 bilhões, ou seja, somente 45% do total. Em 2000, 2001, e 2002, os investimentos autorizados à estatal foram acelerados. Dos R$ 3 bilhões previstos para os três anos, em valores atualizados, R$ 2,8 bilhões foram aplicados, 93% do total.
Segundo a assessoria de imprensa dos Correios, a empresa "está realizando todos os investimentos previstos para 2010". "Ocorre que em muitos casos o processo de contratação ainda está em andamento, por isso a despesa não consta ainda como investida", justifica.
Questionada sobre os problemas com os aviões que fazem as entregas das correspondências verificados no começo do primeiro semestre, a assessoria informou que as linhas da rede postal noturna já estão funcionando regularmente. "Os atrasos citados deviam-se, em parte, à falta de mão-de-obra, mas o problema também foi solucionado com a contratação de profissionais temporários". A ECT afirma que, até o final deste ano, haverá concurso público para contratação de 6,5 mil pessoas.
A assessoria listou os objetivos da estatal sob o comando de um novo diretor. "O novo presidente dos Correios, David José de Matos, destacou que terá quatro prioridades imediatas em sua gestão: a realização do concurso público nacional, a licitação de agências franqueadas, o transporte aéreo de carga postal e o resgate da autoestima do empregado da empresa".