Cidades

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Hip hop traduz cotidiano do jovem indígena

Hip hop traduz cotidiano do jovem indígena

Redação

18/08/2010 - 05h43
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Thiago Andrade

Valendo-se de elementos da cultura hip hop, principalmente a dança de rua (ou street dance), o grupo Funk-se pretende falar da juventude indígena em Mato Grosso do Sul. “Frágil ou o sentido da ruptura”, trabalho que estreia amanhã, às 20h, no Teatro Glauce Rocha, aborda os costumes, conflitos e dificuldades que os jovens têm de enfrentar em seu cotidiano. Com coreografia, direção geral e trilha de Edson Clair, o espetáculo contou com apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte), por meio do prêmio Klauss Viana.
“Comecei a pensar nesse trabalho em 2009, quando vi notícias sobre suicídios de jovens em aldeias indígenas. Isso me consternou e decidi montar alguma coisa sobre os indígenas. Nos inscrevemos para o prêmio e, em novembro, fomos aprovados”, lembra o coreógrafo.
As pesquisas se deram durante os últimos seis meses, nos quais o grupo contou com apoio da antropóloga Kátia Vietta. Para tanto, por diversas vezes, Edson e os dançarinos visitaram aldeias da etnia Guarani Kaiowá na região de Dourados.
“Esse contato foi mais que necessário. Eles nos ensinaram muito, pois existe um modo peculiar de ver a vida, que difere bastante do nosso”, aponta Edson Clair. Por meio das visitas, o grupo levantou elementos que fazem parte da cotidiano indígena e de sua cultura como, por exemplo, rituais. Segundo o coreógrafo, o gestual dos índios é um forte elemento cênico e ele se tornou parte do espetáculo por meio da aproximação com a dança de rua.
Com a ideia de espetáculo, Edson decidiu convidar outros profissionais para auxiliar no trabalho. O diretor teatral e bailarino Jair Damasceno ficou a cargo da direção de corpo e Anderson Bernardes foi convidado para trabalhar a direção de cena junto aos dançarinos do Funk-se. “Uma coreografia solta pode não significar nada. Por isso o trabalho com gente do teatro foi importante, permitindo que os movimentos trouxessem para a cena teatralidade”, ressalta Edson Clair.

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