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Anvisa veta publicidade de pulseira da moda, vendida com apelo de melhorar equilíbrio

Anvisa veta publicidade de pulseira da moda, vendida com apelo de melhorar equilíbrio

Redação

27/08/2010 - 21h00
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária vai suspender hoje a publicidade das pulseiras bioquânticas, vendidas com o apelo de melhorar o equilíbrio e ativar a circulação sanguínea. Esses braceletes, que prometem "estabilizar a energia do corpo", começaram a ser usados por atletas. Celebridades foram fotografadas com as tiras de silicone adornadas por um holograma.

A pulseira original, americana, tem a marca Power Balance. A genérica brasileira é da marca Life Extreme.

Tanto uma quanto outra estão sendo investigadas e deverão ser processadas por publicidade irregular, segundo Ana Paula Massera, gerente de fiscalização de propaganda da Anvisa.

A agência entrou em contato com os sites das pulseiras depois que a reportagem da Folha procurou o órgão, para checar se havia registro desses produtos, vendidos livremente pela internet e em grandes lojas de esportes.

A Anvisa informou que pode proibir o comércio das pulseiras no país.

Luiz Fernandes, um dos fabricantes da pulseira brasileira, disse que ela não precisa de registro no órgão porque "não se absorve ela [a pulseira] diretamente".

Já o revendedor da Power Balance no Brasil não foi localizado. A reportagem procurou os responsáveis nos EUA, mas o assessor, Adam Selwyn, informou que eles estavam viajando e não poderiam ser entrevistados.

 

"CHARLATANISMO"

A Power Balance propaga em seu site que o uso da pulseira aumenta a concentração e a força física porque contém um holograma que "otimiza a fluência energética natural do corpo".

O site da pulseira brasileira, vendida na internet a R$ 159, dá explicação similar.

Vanderli de Assis, que afirma ter criado o modelo brasileiro e se apresenta como professor de física da Universidade Federal de Minas Gerais (não há registro dele na universidade), diz que o holograma, formado por camadas de magnésio, alumínio, ferro e silício, "emite uma frequência que gera estabilidade no campo eletromagnético do ser humano".

Assim, o corpo não seria afetado por frequências externas como ondas de equipamentos eletrônicos, daí o maior equilíbrio do usuário.

Para Marcos Duarte, professor de biodinâmica da Faculdade de Educação Física da USP, as explicações são "charlatanismo quântico".

"A ideia de que um holograma possa interagir com as frequências do corpo e trazer benefício ao equilíbrio é puramente falsa", diz.

Cláudio Furukawa, do Instituto de Física da USP, reforça: "Não há explicação cientifica para isso. Holograma não emite onda".

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