Setembro ainda não chegou e falta mais de um mês para o Dia das Crianças. Mas, na indústria catarinense, o ritmo já é de Natal. A expectativa de crescimento de 10% nas vendas do comércio para dezembro, em relação ao mesmo mês em 2009, faz soar mais cedo o alarme nas linhas de produção.
Na contagem regressiva para o 25 de dezembro, as fábricas somam funcionários temporários aos seus quadros de profissionais, dividem-se em mais turnos de trabalho e multiplicam as horas extras. Sem descuidar da qualidade do produto. Lançamentos e novidades se concentram nesta época do ano para conquistar os consumidores e, se tudo der certo, fazer deste o Natal mais gordo da década.
Tanto trabalho, produção e contratação para atender a demanda voraz do varejo, alimentado pela entrada da classe C no mercado. A recuperação do crédito e a queda nos índices de inadimplência ? os mais baixos desde 2005 ? garantem o tom do otimismo.
? Isso somado à confiança da população. As pessoas acreditam que o emprego vai ser mantido, a economia vai seguir forte e elas terão condições de manter as prestações e os compromissos. Com o nome em dia, podem adquirir bens a prazo, fazer mais negócios e ter vantagens ? avalia o presidente da Federação das Câmaras Dirigentes Lojistas de Santa Catarina, Sérgio Medeiros.
Santa Catarina se destaca entre os estados da Região Sul em relação à regularidade das vendas no varejo. Nesta década, enquanto Paraná e Rio Grande do Sul registraram quedas de até 6,7% nas vendas entre um ano e outro, o Estado não sabe o que é um resultado negativo para dezembro desde 2002 (veja quadro abaixo e clique para ampliá-lo). O ritmo de crescimento do varejo se manteve forte e estável.
O movimento nas caixas registradoras se reflete na arrecadação de impostos. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Fazenda, a arrecadação de ICMS pulou de R$ 4,09 bilhões, em 2003, para R$ 8,35 bilhões em 2009, um acréscimo de 104,15% em valores contábeis. Somente entre 2008 e 2009, o incremento foi de 7,67%. A meta para 2010 é aumentar a arrecadação do ICMS em 12,43%.
O comércio também se prepara para atender bem o cliente nas lojas. São esperadas mais de 25 mil contratações temporárias em Santa Catarina para dar conta da demanda. Sérgio Medeiros acredita que pode haver antecipação das contratações já em outubro, para o Dia das Crianças, o que pode elevar o número para até 30 mil vagas abertas.
Entre os setores aquecidos para o fim de ano estão o de vestuário, alimentação, móveis e informática. Como produtos com maior saída, Medeiros lista roupas, móveis para decoração, celulares e computadores. Como a venda de TVs foi grande no primeiro semestre, puxada pela Copa do Mundo, este é um setor que não deve se destacar agora no Natal, segundo o dirigente.
O presidente da Fecomércio catarinense, Bruno Breithaupt, acredita em um Natal sem crise. Ele aposta em um índice entre 6% e 10% de aumento, com destaque para vestuário, artigos eletroportáteis e informática. O setor está otimista devido ao índice de confiança do consumidor e à queda da inadimplência.
No Brasil, o consumo deve ser recorde, ao atingir R$ 98 bilhões no mês de dezembro, de acordo com projeções da consultoria MB Associados, divulgadas no jornal Estado de S. Paulo. Não se sabe ao certo a fatia catarinense desse bolo.
Se nenhuma catástrofe internacional ocorrer, e se tudo continuar como está, veremos o Papai Noel mais gordo da história.