Ministros do governo da França informaram nesta segunda-feira, 30, que o país não deterá sua política de repatriação de ciganos depois que quase 1.000 pessoas foram devolvidas à Romênia e à Bulgária desde que o governo iniciou uma operação contra a imigração no fim de julho.
O presidente Nicolas Sarkozy enfrenta uma pressão cada vez maior da oposição esquerdista e até de alguns políticos conservadores. Na semana passada, o organismo de direitos humanos da ONU também censurou a política de repatriação.
"O desmantelamento de acampamentos ilegais continuará porque é legítimo e necessário", disse o ministro do Interior, Brice Hortefeux, em uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro de Assuntos Europeus e Imigração. "A França não é um depósito", acrescentou.
300 ciganos partiram na quinta de Paris, na última onda do que o governo Sarkozy qualifica como um programa de repatriação voluntário, já que eles aceitam receber 300 euros e mais 100 euros para cada um de seus filhos para deixarem o país.
O ministro de Imigração, Eric Besson, que viaja a Bruxelas na terça para discutir o tema com a Comissão Europeia, disse que 979 ciganos haviam sido repatriados desde 28 de julho e outros dois aviões partiriam neste mês.
O ministro também propõe emendas para simplificar as leis de deportação, que incluiriam medidas para expulsar pessoas por ofensas reincidentes contra a ordem pública, como "mendigar agressivamente".
O Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial instou a França a integrar os membros da maior minoria étnica da União Europeia em uma solução a nível europeu.
O ministro de Exteriores, Bernard Kouchner, defensor dos direitos humanos, disse já haver considerado se demitir após o início das expulsões.
Mais de 10 milhões de ciganos vivem na UE, um quinto deles na Romênia.
(Informações do Estadão)