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Delator do esquema de Artuzi sofre ameaças

Delator do esquema de Artuzi sofre ameaças

Redação

02/09/2010 - 17h07
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 O secretário de Governo da prefeitura de Dourados, Eleandro Passaia, delator do suposto esquema de corrupção que resultou na prisão de 28 pessoas durante a Operação Uragano, da Polícia Federal, afirmou hoje que já recebeu duas ameaças desde quarta, quando o caso veio à tona.

Entre os presos estão o prefeito da cidade, o vice-prefeito, nove vereadores, além de outros políticos da cidade.

Nesta quinta-feira (2), Passaia disse ao G1 que as duas ameaças foram feitas por pessoas diferentes. Ele diz não ter reconhecido as vozes. "Eram pessoas diferentes. Ligaram no meu celular e me falaram que não ficaria barato", afirmou. "Comuniquei a polícia a respeito das duas [ligações]."

O secretário de Governo disse, contudo, que não irá solicitar o serviço da PF. "Não quero mudar meu nome e fazer outras coisas do programa. Já tenho proteção policial e da guarda municipal", explicou.

O jornalista também afirmou que mais servidores da prefeitura e da Câmara Municipal estão envolvidos no suposto esquema de corrupção. "Passei os nomes para a polícia. São pessoas que não pegavam dinheiro, mas sabiam e participavam de outra forma", diz o secretário.

Questionado sobre como se sente após as ameaças, o delator disse que "não se pode voltar atrás" e ainda revelou que pretende lançar um livro até outubro com os bastidores do suposto esquema de corrupção que teria participação de grande parte da administração municipal de Dourados.

Rumos da investigação

A Polícia Federal afirmou que continua a investigar o chamado "mensalinho" de Dourados. O trabalho consiste em analisar documentos apreendidos durante as prisões desta quarta-feira (1º), juntamente com os depoimentos colhidos no mesmo dia.

Entre os presos estão o prefeito, a primeira-dama, o vice-prefeito, o presidente da Câmara, mais nove vereadores, o advogado geral do município, mais quatro secretários municipais, um assessor do prefeito, o diretor de departamento de licitações, o gestor de compras da prefeitura e empresários da região. Todos os presos prestaram depoimento nesta quarta (1º) e, à noite, foram transferidos para presídios em Campo Grande, capital do estado, a cerca de 220km de Dourados. De acordo com a PF, o motivo da transferência foi a falta de espaço em presídios na região de Dourados.

As prisões são temporárias, com duração de cinco dias, e podem ser prorrogadas por mais cinco dias. A PF informou ainda que os suspeitos podem responder por fraude à licitação, corrupção ativa e formação de quadrilha.

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