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Cerimônia homenageia 33 mineradores soterrados há 1 mês no Chile

Cerimônia homenageia 33 mineradores soterrados há 1 mês no Chile

Redação

06/09/2010 - 04h30
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        Com um ato emocionante ao som de prolongadas buzinas, foi realizada a homenagem neste domingo, 5, aos 33 mineradores soterrados no norte do Chile, exato um mês depois do desmoronamento que os encarcerou a quase 700 metros debaixo da terra.

        Os trabalhos de resgate, enquanto isso, avançam lentamente com a única perfuradora que está em funcionamento. A segunda máquina está prevista para entrar em atividade nas próximas horas, disseram fontes oficiais.

        O otimismo e bom humor que se respira no acampamento "Esperanza" há dias cedeu passagem por alguns instantes à nostalgia e à lembrança dos 33 trabalhadores - 32 chilenos e um boliviano -, que em 5 de agosto foram soterrados na mina San José.

        Um grupo de familiares, acompanhados pelo ministro de Minas chileno, Laurence Golborne, subiram ao morro contíguo à mina, onde tremulam 32 bandeiras chilenas, uma boliviana e outra uruguaia - esta última doada pelos sobreviventes da tragédia dos Andes que visitaram o acampamento no sábado.

        Golborne içou uma bandeira chilena e, com um megafone na mão, mencionou o nome dos 33 trabalhadores diante dos aplausos dos familiares, a maioria dos quais não pôde conter as lágrimas.

        Posteriormente, entoou-se o hino nacional e os veículos soaram as buzinas poucos minutos antes das 14h local (15h de Brasília), aproximadamente a mesma hora em que aconteceu o desmoronamento há exato um mês.

        Golborne afirmou aos jornalistas que o dia de hoje "é um momento de reflexão, não de comemoração".

        "É um momento de esperança, de que consigamos no menor tempo possível trazê-los à superfície e devolvê-los a suas famílias e poder terminar este trabalho de resgate", acrescentou.

        O Escritório Nacional de Emergência (Onemi) informou que a perfuradora Raise Borer Strata 950, que começou a furar na terça-feira passada, atingiu os 42 metros de profundidade.

        O lento avanço se deve a falhas geológicas encontradas na mina, que obrigaram a tapar o túnel com cimento e perfurar pela segunda vez boa parte do conduto furado.

        Enquanto isso, informou-se do iminente início da segunda alternativa, o chamado "Plano B". Trata-se da máquina perfuradora Schramm T-130, que alargará uma das sondas usadas para se comunicar com a galeria e transformá-la numa eventual via de evacuação.

        Os 33 mineradores e seus parentes tiveram neste domingo a segunda videoconferência em tempo real, um dia após a realização da primeira. Dessa vez, no entanto, as equipes de resgate permitiram que as famílias conversassem durante cinco minutos, enquanto ontem foi apenas um minuto permitido - o que gerou descontentamento e críticas dos familiares.

        "Hoje foi maravilhoso. Conseguimos falar bem com eles e vimos que estão realmente bem. Estamos muito contentes", disse à Agência Efe Rafael Peña, irmão de Edison Peña, um dos mineradores soterrados.

        A celebração do dia da pátria, no próximo dia 18, dentro e fora da jazida San José, foi outro dos temas de conversa no acampamento "Esperanza".

        O primeiro a tocar no assunto foi o psicólogo Alberto Iturra, responsável da equipe de apoio psicológico aos 33 operários, que se mostrou contrário a enviar-lhes empadas e vinho hoje, tal como já havia dito dias atrás o ministro de Saúde chileno, Jaime Mañalich.

        "Não podemos correr o risco de (que os mineradores tenham) uma indigestão, porque eles novamente perderiam peso, haveria desidratação e novamente teriam problemas infecciosos", explicou o psicólogo aos jornalistas.

        Sobre a possibilidade de lhes oferecer vinho, o psicólogo se opôs "terminantemente", porque não sabe em que condições estão os mineradores.

        "O que acontece se alguém não quer beber e se dá (o vinho) a quem está do lado e o outro também não quer e o álcool se concentra em três ou quatro pessoas? Como lidamos com isso?", questionou-se Iturra.

        No acampamento "Esperanza", várias famílias discutiram sobre os festejos do dia da pátria, 18 de setembro, mas o centro da discórdia foi como celebrar a data nos arredores da mina San José, não a 700 metros de profundidade.

        Enquanto alguns sustentavam que não há nada a festejar, outros viam com bons olhos a proposta de alguns prefeitos da região, que se ofereceram para organizar um churrasco, mas sem vinho nem bebidas alcoólicas.

        Reunidos sob uma tenda de lona, os dois grupos trocaram argumentos a favor e contra os festejos, até que se decidiu celebrar o dia da pátria, mas "sem grandes pompas", segundo as famílias.

         

        (Informações do Estadão)

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