Viveram no inferno, mas querem voltar a brincar com fogo.
Apenas dois dias depois de terem sido resgatados, alguns dos 33 mineiros que passaram mais de dois meses presos a cerca de 700 metros de profundidade disseram que querem voltar a trabalhar na mineração.
"Eu quero voltar à mina. Sou mineiro de coração. Isso se traz no sangue", disse Alex Vega, um dos trabalhadores que fez parte da maior façanha de sobrevivência debaixo da terra no mundo.
As equipes de socorro que os libertaram, depois de descerem 622 metros em uma cápsula de ferro até o fundo da jazida, disseram que as condições ali eram desumanas.
Eles conviveram 70 dias em uma situação de extrema umidade e temperaturas de 40ºC.
Este episódio levou o governo a estudar reformas nas normas de segurança para exploração de minas.
Mas as autoridades admitem que obviamente não podem garantir que não ocorram mais acidentes.
"Claro que sim", disse o mineiro Osmán Araya, quando lhe perguntaram se voltaria a trabalhar no setor.
"Não temos nada a temer. Temos de continuar trabalhando, é isso. É parte de nosso ofício", disse ele à TV estatal, falando do hospital.
Mas o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, disse que para muitos deles não é recomendável que voltem a trabalhar em uma mina.
"Para alguns o retorno é totalmente imprudente. Em alguns casos nos perguntamos o que faziam lá, se tinham micoses ou diabetes", disse Mañalich em entrevista à imprensa diante do hospital.
Ele acrescentou ser também provável que, se algum deles decidir regressar à mineração, no momento exato em que tenha de descer saia correndo em pânico.