A estrutura e o cuidado dispensados durante o cultivo são os principais fatores que elevam o valor da maconha hidropônica. Embora a polícia não divulgue o valor do quilo do entorpecente, o perito criminal (da Polícia Federal) Matheus de Andrade Carvalho explica como funciona a produção da supermaconha. A droga é produzida em ambiente de estufa, com iluminação ultravioleta 24h, terra encharcada e aplicação de nutrientes e fertilizantes calculados especificamente para o plantio.
De acordo com o perito, a maconha hidropônica é relativamente nova no Brasil, mas produzida há muito tempo nos Estados Unidos. A produção em grande escala tem sido atribuída ao Paraguai, já que no Brasil foram relatados apenas casos de pessoas que cultivam em apartamentos, em quantidade insuficiente para abastecer o mercado. Como a droga é produzida no país vizinho, Mato Grosso do Sul serve como rota de passagem da maconha que tem como destino São Paulo, Rio de Janeiro e região Sul do Brasil.
Matheus revelou que a quantidade de nutriente e luz dispensados durante o cultivo acelera o metabolismo da planta, que produz mais Tetraidrocanabinol (THC), responsável pelo efeito alucinógeno. Menos de três meses após o plantio, a maconha hidropônica está pronta para ser submetida aos procedimentos de colheita, secagem e prensa.
Sem dados
Conforme o perito, diferente da cocaína que tem registrada as apreensões de subprodutos, como pasta base, crack e cloridrato, as apreensões de maconha não são divididas em comum e hidropônica. Em função disso, não é possível ter a dimensão de quantos quilos da droga potencializada já foram apreendidos no Brasil. Outro fator que dificulta quantificar a supermaconha retirada de circulação pela polícia é que as apreensões não são encaminhadas para que laboratórios classifiquem o tipo de produto, já que a olho nu não é possível apontar se a maconha é tradicional ou hidropônica.