Falta de atenção, esquecimento de documentos e confusão sobre os endereços dos locais de prova impediram centenas de candidatos de participar ontem do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Campo Grande, onde estão concentrados 44% dos 98.423 inscritos para o processo seletivo em Mato Grosso do Sul.
Os problemas ocorreram principalmente entre os inscritos para as provas nos campus da Anhanguera. A estudante Letícia Teodoro, de 17 anos, por exemplo, compareceu ao campus da Uniderp na Rua Ceará e só então percebeu que em seu cartão de confirmação constava o endereço do campus da instituição que fica situado na Avenida Fernando Corrêa da Costa (Unaes). "Eu moro aqui em Campo Grande, mas não conheço direito a região", comentou a candidata, que se aprovada pretende fazer o curso de Administração em uma universidade pública. Faltando 30 minutos para o fechamento dos portões, a candidata conseguiu uma carona e chegou a tempo ao outro local.
Outros candidatos, como Moacir Severo Gomes, 59 anos, não tiveram a mesma sorte. "Saí de casa de moto e na correria esqueci todos os documentos em uma bolsa. Tive que voltar para buscar, mas gastei 10 minutos e quando voltei o portão já tinha fechado. Agora, só ano que vem. Fazer o quê", lamentou. Ele contou que tentava o Enem em busca de uma bolsa para o curso de engenharia, interrompido neste ano por não ter condições de continuar pagando a mensalidade.
Felipe Nathan Rodrigues, de 18 anos, também chegou 15 minutos após o fechamento dos portões. "Moro muito longe, no Jardim Macaúbas, e vim de carona", justificou. Já Celina Martinez Georges, 16 anos, equivocou-se sobre o horário de início das provas e compareceu ao campus da Anhanguera/Uniderp às 12h20min, pensando que os portões fechariam às 12h45min. "Esse seria o primeiro Enem que eu faria, como treineira", lamentou a adolescente, que pretende cursar Psicologia.
Lucro
Enquanto milhares de candidatos chegavam ao local de provas para participar do Enem, outros jovens aproveitaram para faturar durante o primeiro dia de exames. Cláudio Barbosa da Cruz, 18 anos, fez plantão em frente a um dos portões de acesso ao campus da Uniderp/Anhanguera para vender pelo valor de R$ 2,00 a unidade canetas pretas de embalagem transparente, único modelo permitido pelo Ministério da Educação para uso durante as provas. "Consegui vender 60. Amanhã (hoje), com certeza vou estar aqui de novo", comentou. Acadêmicos dos cursos de Medicina e Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) também aproveitaram para comercializar canetas, garrafas de água mineral e até chocolate no mesmo local.