A troca de experiências entre profissionais dos países de língua francesa e portuguesa nos três dias da Conferência Luso-francófona (Colufras), que acontece em Campo Grande, vai possibilitar a avaliação de sistemas e serviços de saúde. “Sempre que avaliamos nossos resultados e atendimentos, melhoramos nosso serviço”, resumiu a secretária de Saúde do Estado Beatriz Dobashi durante a abertura do evento hoje de manhã no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, com a presença do governador André Puccinelli. A conferência, que acontece até quarta-feira, vai reunir cerca de 400 profissionais de Portugal, França, Suíça, África, Canadá e Brasil.
Para o secretário geral da Colufras Normand Asselin o encontro é o intercâmbio de todos os países que se interessam em enriquecer os conhecimentos com experiências internacionais. “Os sistemas de saúde são uma expressão de cada país. Todos nós temos a aprender um com o outro”, enfatizou Asselin. O ex-embaixador do Canadá no Brasil disse que seu país aprendeu muito com as experiências brasileiras e citou os programas Saúde da Família e Agentes de Saúde como exemplos.
Beatriz Dobashi destacou que a troca de conhecimentos vai possibilitar a identificação de valores que cada serviço representa para os países, além de avaliar a estrutura predial, equipamentos, condições de acesso e organização das redes de atenção à saúde pública nas diferentes nações.
De acordo com o representante do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Gilson Carvalho, o desempenho é medido através de resultados. “Temos a missão de ajudar as pessoas a viverem mais e melhor. Este é o desempenho que na maioria das vezes não medimos”, avaliou.
A Colufras tem como objetivo aprimorar a qualidade da assistência médica e o acesso aos serviços de saúde a todos os cidadãos dos países que falam a língua francesa (francófono) e portuguesa (lusófono), principalmente da província de Quebec, no Canadá, e no Brasil. As duas línguas oficiais da conferência são francês e português. Esta é a terceira edição do evento, que aconteceu em 2005 em Montreal e em 2007 em Salvador.
O evento tem como colaboradores instituições privadas e públicas do Brasil e do Canadá. Entre os primeiros participantes destacam-se a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), as organizações não governamentais Pró-Saúde e Abraspe, além das secretarias de Saúde de Goiás e Distrito Federal. Participaram também da abertura do evento os representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) Regina Ugerer e do Ministério da Saúde Cláudio Brasil, o presidente da Associação Médica Brasileira e Mundial José Luiz Gomes do Amaral e a representante do governo da província de Quebec, no Canadá, Lise Gravel, além de secretários de saúde de outros estados e municípios.
As palestras serão abordadas por conferencistas das universidades de Montreal (Canadá), Genebra (Suíça), Lisboa (Portugal) e Universidade de São Paulo (USP) e da França. As palestras terão tradução simultânea. Participam Fiocruz, representantes de universidades, instituições filantrópicas e organizações internacionais.
Otimismo
O governador André Puccinelli manifestou durante a abertura do evento otimismo nos resultados positivos que a troca de experiências entre especialistas de Língua Portuguesa e Língua Francesa possa trazer para os sistemas de saúde de diversos países. Para o governador, os representantes que entidades médicas e organizações ligadas ao poder público que vieram a Campo Grande para a Conferência, indicam o interesse em dinamizar e aperfeiçoar os debates em prol de avanços no setor. “Que nesta avaliação, possamos, após os três dias, criar novas ideias no intercâmbio que faremos, os brasileiros e os sul-mato-grossenses, com os canadenses e os demais países”, disse o governador.