Com um total de 283 autos de infração, somando mais de R$ 51 milhões, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Mato Grosso do Sul fecha 2010 centrando a fiscalização em desmatamentos dos biomas Pantanal e Cerrado. O uso de tecnologia como o geoprocessamento tornou mais eficaz o combate aos desmatamentos e à derrubada de mata para a produção de carvão no Estado.
A comparação de imagens de satélite de 2008 com 2010 foi decisiva para o êxito de operações contra desmatamentos como a Guaicurus que em dois meses de atuação gerou cerca de 30 milhões em multas, embargou mais de 5 mil hectares de áreas desmatadas sem autorização e flagrou outros desmatamentos que somam mais de 10 mil hectares localizados na BAP (bacia do Alto Paraguai).
Os remanescentes do bioma Mata Atlântica (sudeste e sudoeste do Estado) também mereceram atenção do órgão. Essa região foi o palco de expedições especiais como a de técnicos e do superintendente do Ibama David Lourenço, que percorreram de barco 220 km ao longo do Rio Paraná, num percurso centrado na avaliação dos impactos ambientais das construções e pousadas encontradas às margens do Rio Paraná além de identificar quais os principais crimes ambientais encontrados nessas regiões
A maioria dos crimes ambientais praticados em 2010 no Mato Grosso do Sul envolvem desmatamentos dos 3 biomas existentes no Estado (pantanal a norte e oeste, cerrado no centro e Mata Atlântica no sul e sudeste do Estado). São mais de 32 milhões de reais em multas só no caso de desmatamentos. Infrações contra a fauna, como tráfico de animais silvestres, criatórios irregulares e biopirataria respondem pelos outros 19 milhões de reais em multas aplicadas pela instituição no Estado.
Embora Campo Grande lidere os municípios com mais infratores ambientais: 38 casos, Corumbá é o município que mais desperta a atenção do Ibama no Estado por concentrar os maiores desmatamentos e sediar o complexo minero-siderúrgico do Estado.
David Lourenço alerta para o crescimento econômico que está reforçando as pressões sobre o bioma pantanal. "O aquecimento do agronegócio e da economia como um todo está embutindo riscos de maiores pressão por novas áreas para o cultivo, sem afastar os riscos do aumento da produção minero-siderúrgica dentro do bioma; com isso o bioma pantanal e as margens da BAP estão mais vulneráveis” diz ele.
Em 2011, segundo ele, deverão ser realizadas mais de 50 ações nessas áreas, quando será usada a tecnologia para vigiar 24 horas por dia as regiões mais críticas dentro do Estado, assegurou David.