Uma criança indígena, residente na aldeia Te’Ykuê, em Caarapó, assassinada no inicio da noite de terça-feira, pode ter sido trocada por maconha por dois primos. A Polícia Civil apreendeu quatro adolescentes, suspeitos de terem participado da trama criminosa que resultou no estupro e morte da menina de oito anos.
A tia de 17 anos e um primo de 15 foram vistos saindo da aldeia pela manhã, em companhia da menina, em direção à fazenda Gauchinha, onde o crime aconteceu. Eles alegam que a vítima se afogou. Ontem cedo foram detidos outros dois adolescentes, um de 15 e outro de 16 anos, acusados de participação no homicidio.
O corpo da menina L.A. M. foi encontrado entre dois troncos de arvore, proximidades de uma lagoa, com sinais de violência sexual. Em várias partes foram identificados hematomas de mordidas.
Conforme a Polícia Civil, a tia contou que trocou a sobrinha por entorpecentes, para as colegas de cela na delegacia, que então relataram o caso aos policiais. Mas ela nega. Também os dois adolescentes apreendidos ontem negaram participação no crime. Segundo lideranças indígenas, os acusados são conhecidos por venderem droga na reserva. Durante a apreensão, os policiais encontraram entorpecentes na casa de um deles.
O menor de 15 anos, primo da vítima, disse aos policiais que quem teria matado e violentado a criança foi a tia e dois homens. O delegado de Caarapó, Luís Milani, procura agora esses dois suspeitos, que o menor acusou.
A mãe da vítima, N. M., de 25 anos, viu a filha sair da aldeia por volta das 7h. Ela, a tia e o primo foram a uma fazenda nas proximidades para tomar banho e lavar roupa. Às 17h, um indígena retornou à aldeia e disse que a menina havia morrido afogada na lagoa existente na propriedade.
A mulher foi ao local e encontrou o corpo da filha entre árvores, perto de um barranco. A criança tinha marcas de abuso sexual, mordidas e lesões na nuca provocadas por pancadas, possivelmente de uma barra de ferro.