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Apartamentos são vendidos por até R$ 750 na Capital

Apartamentos são vendidos por até R$ 750 na Capital

Redação

16/01/2011 - 00h00
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Apartamentos estão sendo comercializados por R$ 750 em Campo Grande. Há um ano, o preço era menor ainda e chegava à bagatela de R$ 300. No entanto, para os compradores que se interessarem pelo preço inusitado dos imóveis, localizados na Vila Ieda, é preciso dizer que eles não têm acabamento, nem mesmo janelas e portas e estão situados em uma área invadida, com pendência judicial. A área encontra-se em processo de inventário e pertence à Construtora Incco – a mesma responsável por erguer o Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo. Entretanto, enquanto as famílias ocupam há pouco tempo este imóvel e aguardam pedido de reintegração de posse na justiça, feito pela construtora, em outro prédio invadido na Capital, no Bairro Mata do Jacinto, 41 famílias também esperam decisão judicial em ação que pede a permanência delas no local.

São duas construções na Vila Ieda – bairro próximo à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, divididas em 24 apartamentos e cerca de 18 famílias vivem no local atualmente. Os primeiros moradores chegaram há dois anos. "As notícias correm", disse uma das moradoras que não quis se identificar à reportagem. A família pagou R$ 500 pelo apartamento à época.

Para proteger o local do frio e do vento, a família improvisou tapumes e lonas nas portas e janelas. "A gente dá um jeito. O importante é ter um lugar para chamar de seu porque antes morávamos num quartinho pagando aluguel", declarou um dos integrantes da família. Os apartamentos contam com três quartos, sala, cozinha, banheiro e uma área de serviço. Estão no contrapiso e por isso soltam muita sujeira. "Aqui a gente tem de limpar toda hora", relatou a moradora que tem inscrição na Agência Municipal de Habitação de Campo Grande (Emha).

Recentemente, a Águas Guariroba regularizou o serviço de água no local, que antes tinha ligação clandestina. De acordo com a assessoria da empresa, o fornecimento para os prédios foi realizado em nome de uma associação de moradores e em caráter social "pois as famílias estavam usando o serviço e havia o risco da ligação clandestina contaminar o lençol freático". Já o serviço de energia elétrica é clandestino.

Nenhum dos moradores do residencial soube citar nomes de quem negocia os imóveis, mesmo porque eles efetuam as transações e depois não são mais vistos no local.

O advogado da Incco Construtora, José Alves Nogueira, explica que as obras dos dois blocos estão paradas há cerca de dez anos por conta de problemas financeiros da empresa. Há dois anos, o dono da empresa, Arnaldino da Silva, faleceu e o bem está em processo de inventário. Os dois blocos estão localizados numa área de três hectares e atualmente estão avaliados em R$ 6 milhões.

O pedido de reintegração de posse foi feito em agosto de 2010, mas até o momento não houve decisão judicial a respeito. "Queremos vender a área", informa. Sobre o destino das famílias que estão no local, o advogado abreviou a fala. "A justiça que decida sobre isso", aponta.

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