Falta de informação foi o elemento responsável por deixar as comunidades terapêuticas de Mato Grosso do Sul fora do bolo de R$ 100 milhões que o Governo federal destinará em 2011 à criação de novos leitos para tratamento de dependentes químicos no País.
O Correio do Estado entrou em contato com os principais centros de recuperação do Estado para saber se foram pleiteados os recursos ofertados no edital. As respostas foram praticamente as mesmas: ninguém sabia que havia a possibilidade de concorrer à verba para a manutenção de leitos.
Organização não Governamental (OnG) Esquadrão da Vida, que mantém atualmente 100 pessoas internadas em tratamento em Campo Grande, tanto dependentes químicos quanto em bebida alcoólica, poderia ter ampliado suas vagas com o edital, mas "não recebemos informações sobre isso. Ninguém nos avisou", disse Samir Zayed, diretor do Esquadrão. As informações do edital constam na página da Senad: www.senad.gov.br.
Há 12 anos, a OnG se equilibra para ofertar o serviço aos dependentes. "É claro que a criação de mais leitos seria bem-vinda", continuou Zayed. A comunidade funciona a partir de doações de pessoas da sociedade civil e familiares de dependentes.
Na Casa de Recuperação Peniel, também na Capital, estão em tratamento 60 homens e 12 mulheres. Também são dependentes de drogas ilícitas e o álcool – substância lícita. A responsável pela casa, Regina Célia de Lima Theodoro, soube do edital por meio da reportagem. "Não tinha conhecimento", respondeu. Na Peniel, um dos centros de referência em tratamento de dependentes no Estado, as pessoas ficam internadas e são mantidas com doações da sociedade civil, empresas como rede de supermercados que doam alimentos, e ainda de familiares dos internos. "Nós não cobramos mensalidades aqui. Se a família do dependente internado tiver condições de contribuir com a casa, a ajuda é aceita", apontou a coordenadora, que emendou. "Tínhamos uma pessoa que era responsável em captar recursos em editais públicos, mas não temos mais esse setor", disse.
Outra entidade, o Centro de Recuperação Esperança (CRE), em Campo Grande, administrada por Nely Barbosa Fernandes e que trata em regime de internação 35 pessoas atualmente, também poderia ter sido beneficiada se tivesse projeto aprovado. "Estou decepcionada em saber que havia esse edital e não participamos dele", citou.
O presidente do Conselho Estadual Antidrogas de Mato Grosso do Sul (Cead/MS), o promotor Sérgio Harfouche, explicou que as inscrições no edital do Governo federal não eram informadas à entidade estadual, e assim, não há informações se alguma comunidade terapêutica no Estado chegou a pleitear o financiamento.
Segundo informações do Cead/MS, em Mato Grosso do Sul são 24 centros de reabilitação de dependentes químicos e de álcool, grande parte deles – como os citados acima – trabalha com a recuperação da pessoa sem utilizar tratamento medicamentoso. A Secretaria Municipal de Assistência Social de Campo Grande (SAS) contribui na manutenção de alguns centros na Capital.