O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast, criticou nesta terça-feira a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, por ter expressado seu apoio aos protestos de milhares de opositores na segunda-feira --que acabaram com ao menos um morto e dezenas de feridos.
Mehmanparast disse que Washington interpreta de forma errônea o que ocorre no Oriente Médio e que a onda de protestos no mundo árabe é contra a influência dos Estados Unidos e do sionismo.
"Os comentários que fazem os responsáveis norte-americanos estes dias emanam da confusão devido às mudanças que se estão ocorrendo na região", afirmou, em sua habitual entrevista coletiva semanal.
"Essas mudanças infligem um dano aos interesses dos poderes dominantes e daqueles que respaldam o sionismo. Com este tipo de declarações unicamente tentam ocultar este fato", acrescentou o porta-voz.
Em meio aos intensos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança, Hillary disse que os EUA apoiam as demandas dos opositores e saudou a "coragem" e as "aspirações" dos que protestam contra o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Segundo ela, a República Islâmica precisa "abrir" seu sistema político.
"Queremos para a oposição e o povo heroico nas ruas e nas cidades de todo o Irã as mesmas oportunidades que alcançaram seus homólogos egípcios na semana passada", disse Clinton à imprensa. "Apoiamos os direitos universais do povo iraniano. Merecem os mesmos direitos [dos exigidos pelos egípcios], que são parte de seus direitos naturais".
Estados Unidos e Irã não têm relações diplomáticas oficiais desde a Revolução Islâmica, em 1979. Washington lidera o grupo de países que acusa Teerã de manter um programa nuclear militar, acusação que os iranianos negam.
Nesta terça-feira, o presidente do Parlamento iraniano, Alí Larijani, acusou os Estados Unidos e seus aliados de dar apoio à oposição. "O principal objetivo dos americanos é simular os recentes eventos no Oriente Médio no Irã, para divergir as atenções desses países", disse o presidente da Casa, em referência aos protestos que invadem o mundo árabe e que já derrubaram ditadores da Tunísia e Egito.