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União Europeia preparada para retirar 10.000 europeus da Líbia

União Europeia preparada para retirar 10.000 europeus da Líbia

Redação

23/02/2011 - 12h43
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União Europeia (UE) está preparada para retirar 10 mil de seus cidadãos que se encontram na Líbia nas próximas horas e dias, anunciou nesta quarta-feira o Executivo comunitário.

A declaração da Comissão Europeia coincide com a informação de um armador francês na Líbia sobre o fechamento temporário de todos os portos e terminais deste país, sacudido por uma rebelião contra o regime de Muamar Kadhafi.

A situação no aeroporto de Trípoli é caótica e os passageiros lutam para conseguir um voo, afirmou nesta quarta-feira o comandante de um avião maltês, Philip Apap Bologna, que estava na capital líbia para resgatar compatriotas.

"A situação é caótica. Reina a confusão e as forças de segurança não deixam as pessoas que não possuem passagem entrar no terminal", acrescentou.

Segundo o piloto, o comportamento desesperado dos passageiros no aeroporto é reflexo de sua vontade de abandonar o mais rápido possível a Líbia, sacudida pela repressão de manifestações que pedem a queda de Muamar Kadhafi.

Conselho de Segurança da ONU condenou nesta terça-feira os atos de violência contra a população líbia por parte do regime de seu governante, Muammar Kadafi, a quem pediu que assuma responsabilidades pelo ocorrido e cumpra a obrigação de proteger os civis.

O principal órgão de decisões da ONU está muito "preocupado pela situação na Líbia e condena firmemente os atos de violência que ocorreram no país", disse a presidente de turno do Conselho, a embaixadora do Brasil Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O Conselho de Segurança da ONU expressou uma "grande preocupação" com o desenrolar dos acontecimentos na Líbia e divulgou uma declaração pedindo o "fim imediato da violência".

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu em caráter de emergência para discutir a sangrenta repressão à onda de protestos no país, depois que o secretário-geral Ban Ki-moon exortou o ditador Muammar Kadafi a acabar com a violência.

O encontro seguiu-se a uma série de deserções por parte de diplomatas líbios - incluindo a delegação do país na ONU -, que denunciaram a violência brutal usada pelo regime de Kadhafi para reprimir as manifestações.

Na última segunda-feira, helicópteros foram utilizados para metralhar os manifestantes, enquanto aviões bombardeavam as maiores concentrações, segundo denúncias de testemunhas.

Navi Pillay, alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, alertou contra "ataques correntes e sistemáticos contra a população civil, que podem escalar ao ponto de crimes contra a humanidade".

Na última segunda-feira, Ban Ki-moon disse ter feito um apelo por moderação durante uma conversa de 40 minutos com Kadafi, 68 anos, mais um autocrata da região a sofrer com as rebeliões populares inspiradas pelo movimento da Tunísia, que levou à queda do presidente Zine El Abidine Ben Ali.

"Pedi a ele que os direitos humanos e a liberdade de assembleia e discurso sejam totalmente protegidos", declarou Ban. "Instei a ele que pare a violência contra os manifestantes, e destaquei mais uma vez a importância de se respeitarem os direitos humanos daqueles manifestantes".

Em meio a uma onda de revoltas populares em países do mundo árabe governados por ditaduras e dinastias, a situação da Líbia configura-se como a mais violenta até o momento.

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos estimam em 400 o número de vítimas fatais da repressão até o momento. Ban disse ter ficado "ultrajado" pelas informações de que as forças de segurança líbias estariam atirando diretamente contra a multidão usando helicópteros e aviões.

"Ataques contra civis, se confirmados, constituiriam uma séria violação da lei humanitária internacional e seriam condenados pelo secretário-geral nos mais fortes termos", declarou o porta-voz Martin Nesirky.

"A indiferença com que as autoridades líbias e seus mercenários contratados estariam supostamente atirando contra manifestantes pacíficos é inconcebível", afirmou Pillay.

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