Cidades

Crenças

Fanastimo religioso levanta novos debates após massacre no Rio

Fanastimo religioso levanta novos debates após massacre no Rio

Redação

11/04/2011 - 03h33
Notícia sem imagem

Ao longo do dia 7 de Abril, quando ocorreu o ataque à escola em Realengo, no Rio de Janeiro, que deixou um saldo de mais de dez crianças mortas, o tenente-coronel da Polícia Militar, Ibis Pereira, afirmou que a carta deixada pelo atirador possuía forte teor de fanatismo religioso. O porta-voz da PM disse avaliar que o suspeito deveria ter um desvio de personalidade: "ele era um fanático religioso, um quadro de demência religiosa. Ele via nas crianças algo impuro. Só um desvio de personalidade explica um comportamento sociopata dessa natureza. Um ato de estupidez.”

Se este é realmente o caso, apenas as investigações mais consolidadas poderão dizer. Mas a dúvida que fica é: será que todo fanático religioso utiliza de meios violentos para provar uma causa? O padre Luís Correa Lima, do departamento de teologia da PUC do Rio de Janeiro, diz que não. “Nem todos são violentos. O que acontece é que, no passado, havia a doutrina da ‘guerra justa’, ou seja, a utilização de meios não pacíficos para provar uma causa”, relata.

O padre esclarece ainda que os fanáticos religiosos não se vêm desta forma. “Os outros é que os classificam desta maneira, com razão em muitos casos”, afirma. Ele explica que o fanatismo é uma espécie de ideia fixa. “É muito importante ficar claro que nem todo fanático é um fundamentalista, como muitas pessoas confundem.”

Fundamentalismo


De acordo com Diego Omar, professor de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto e membro do Núcleo de Estudos da Religião da instituição, os fundamentalistas são pessoas que se opõem a qualquer mudança na tradição religiosa da qual são seguidoras. “O fundamentalismo se espalha em qualquer sociedade ou religião. Existem fundamentalistas católicos, neopetencostais, islâmicos e muitos outros”, afirma.

“Existe um fundamentalismo disseminado na cultura que força uma cristalização de movimentos religiosos, que nem sempre resultam em violência física. Ele pode, por exemplo, rejeitar a diversidade. As próprias seitas Neopetencostais ou a Renovação Carismática são bastante tradicionalistas, com posturas conservadoras e restritivas nos costumes, mas que não chegam à violência”, explica Diego.

Distúrbio mental


Com relação à carta deixada pelo atirador de Realengo, Jung Mo Sung, coordenador do programa de pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, considera não ser possível caracterizá-la como fanatismo religioso. “A carta é de alguém doente, com distúrbio mental. É perigoso taxar de fanático religioso alguém que tem na verdade uma doença.”

Outra característica apontada pelos especialistas é a de que o fanatismo, normalmente, não se dá de modo individual. “Você tem que sentir que faz parte de um grupo. O outro fanático confirma que o meu fanatismo é correto. Podem ser grupos minoritários, como os skinheads, ou de massa, como os nazistas”, completa Jung.

De acordo com coordenador do programa de pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, a carta deixada pelo atirador demonstra uma severa perturbação mental. “O que ele fala não tem nada a ver com conceitos de religião cristã. Ele mistura falas sobre a pureza com a vinda de Jesus. O jovem que atirou dentro daquela escola tem senso de pecado porque pede perdão pelo que fez. Ele fala em caridade, por exemplo. Como não tem referência ao suicídio, ele está falando apenas de matar e morrer. Carta de despedida de suicida é diferente. Esse texto denota uma grave perturbação mental.”

Cidades

TJMS obriga prefeitura pagar transporte aéreo de bebê para tratamento pós-cirúrgico

Município teria negado custeio de transporte de avião, mesmo com recomendação médica em razão do tempo de vida da bebê, de 11 meses, e risco de complicações após cirurgia

07/11/2026 11h30

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses Banco de Imagem

Continue Lendo...

À FRENTE

Presidente do TJMS diz que tribunal será “vanguarda do Judiciário nacional"

O desembargador Dorival Pavan concedeu entrevista ao Correio do Estado depois de ficar à frente do Governo do Estado por seis dias

07/11/2026 10h30

Dorival Renato Pavan, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS)

Dorival Renato Pavan, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).