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Especialista acredita que Brasil conseguirá só montar tablets, sem produção de componentes

Especialista acredita que Brasil conseguirá só montar tablets, sem produção de componentes

Redação

05/06/2011 - 03h00
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O Brasil não tem competitividade para instalar uma efetiva indústria de tablet, o computador portátil que tem forma de prancheta e funciona com tela sensível ao toque. Na avaliação do pesquisador de economia da informação, João Maria de Oliveira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a curto prazo, o país conseguirá apenas montar aparelhos a partir de componentes importados de outros países, como acontece na produção de computadores, televisores com tela fina e aparelhos celulares, cujos processadores e monitores são apenas encaixados por trabalhadores brasileiros nas linhas de produção final.

Para o pesquisador, é preciso encontrar um nicho de atividades ligadas ao uso de tablet. “Nós precisamos investir, a longo prazo, na indústria de desenvolvimento de software e de design. É isso que está em aberto”, destaca, ao lembrar que o processo não é imediato e pode levar 15 anos. E, além disso, vai exigir muito investimento em ciência e tecnologia.

João Maria de Oliveira compara as possibilidades de instalação da indústria dos tablets com o interesse da indústria de petróleo no Brasil. O país virou referência mundial por causa da capacidade de extração de óleo na camada pré-sal, no fundo do oceano. “Na área de tecnologia para a exploração do pré-sal, o processo é inverso: os grandes centros das empresas [transnacionais] vêm pra cá e não é só porque tem mercado [aqui no Brasil], mas porque percebem que nós temos uma expertise”.

Nesta semana, foi estabelecido o cronograma para a nacionalização da produção dos componentes do tablet. Foram publicadas as portarias que definem a quantidade de componentes, partes e peças nacionais que os fabricantes devem utilizar na montagem do equipamento para ter direito aos benefícios tributários.

Os índices de nacionalização aumentam até 2014, chegando a 80% no caso de carregadores. A expectativa do governo é que, a partir de 2014, a fabricação ocorra totalmente no Brasil. Os critérios e prazos foram estabelecidos pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia, após consulta pública.

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