A mulher acusada de lesar em mais de R$ 100 mil um grupo de fiéis que viajaria para a cidade paulista de Aparecida, no início do mês, se apresentou à Polícia Civil e vai aguardar em liberdade a conclusão das investigações.
Maristela das Dores Rodrigues, que organizava a excursão, foi indiciada pelo crime de estelionato, que garante pena de até cinco anos de prisão em caso de condenação judicial.
O delegado informou que Maristela se apresentou em companhia do advogado e explicou que gastava o dinheiro na medida em que recebia dos fiéis. Quando chegou a data para a viagem não tinha a quantia necessária para cobrir os custos do deslocamento de ida e volta do grupo de romeiros e resolveu sair de Corumbá. Foi para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
A carta e o golpe
Ao longo de doze meses, os 168 fiéis pagaram uma taxa mensal de R$ 50 para custear as despesas da viagem e, um dia antes da partida - prevista para 1º de junho -, eles ficaram sabendo que a responsável pela excursão havia fugido com todo o dinheiro arrecadado. Em uma carta, Maristela das Dores Rodrigues, organizadora da viagem, explicou aos fiéis que havia cedido "à tentação do dinheiro" e que sua decisão de sumir era "inexplicável".
Na carta, a mulher se diz culpada e afirma que a família não esteve envolvida na situação. "Não tenho e nem posso pedir perdão, pois o que fiz é inexplicável. Caí na tentação do dinheiro e prejudiquei a todos. Quero deixar bem claro que minha família não soube de nada do que estava fazendo", afirmou Maristela segundo a carta apresentada pelo marido.
Para resolver a situação e pagar a dívida, a mulher apontou uma saída: "de alguns eu devolvi o dinheiro. Paguei R$ 10.040 ao hotel. Deixarei escrito para que meu marido venda a casa para poder devolver o dinheiro, tenham paciência, pois não será fácil (...) Mas, estou pagando pelos meus erros", disse ao encerrar a carta.