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praça ari coelho

'Lambe-lambes' se modernizam e usam máquinas antigas por charme

'Lambe-lambes' se modernizam e usam máquinas antigas por charme

Redação

26/06/2011 - 12h00
Notícia sem imagem

O fotógrafo "lambe-lambe" surgiu no século XIX nos espaços públicos das cidades brasileiras e é considerado um profissional em extinção. Existem várias explicações para esse tipo de fotógrafo ser chamado assim e a mais popular é o modo de usar o equipamento, já que a placa de vidro da máquina era lambida para saber qual era o lado da emulsão. Em Campo Grande, dois ''sobreviventes'' da arte de fotografar em locais públicos montam todos os dias seus equipamentos na praça Ari Coelho, no centro da cidade.

Um deles, que de tão tímido não quis nem dizer o nome,  disse apenas os valores das fotos que faz para carteiras de trabalho e certificados de reservista. Na máquina, que fica embaixo de um enorme guarda-Sol, fotos de pessoas que registraram momentos felizes ou até mesmo somente a imagem para um documento e que não foram buscar o produto - ou não pagaram pelo serviço, revela o fotógrafo. Sem dizer mais, ele saiu correndo em direção ao outro lado da praça. 

Máquina e fotos deixadas para trás. No detalhe, uma família registra um dia de passeio em frente a extinta fonte da praça

Menos tímido e mais falante, Luís Pereira, o outro ''sobrevivente'' dos tempos modernos, abre seu baú e conta o segredo: uma máquina digital e impressora, que revela as fotos na hora em que o cliente faz o pedido. "A máquina é só charme, não a uso mais", diz. Luís explica que o filme usado nessa máquina não é vendido mais na Capital e ele precisa trazer de Goiás quando quer fazer fotos com o equipamento. 

  

"Ela [a máquina] me serviu por mais de 30 anos. Há 36 anos que trabalho aqui e há seis que eu a aposentei", conta Luís, que trabalha de segunda a sexta das 5h30min às 17h no local. Aos sábados, ele faz fotos até o meio dia e o passatempo, quando está de folga, é fotografar.

    

Luís mostra a câmera que pretende consertar para fotografar quando tiver um tempo livre

"Neste fim de semana eu fui chamado para fotografar um jogo, vou levar a digital", diz. Ele mostra uma câmera que pretende consertar para fazer imagens de um casamento. "Essa aqui eu vou levar no japonês, ele vai arrumar de graça pra mim". 

Orgulhoso do seu trabalho, ele diz que muitas pessoas o procuram para fazer fotos rapidamente para carteira de trabalho e conta que a diferença é que, mesmo com revelação rápida, o carimbo que é colocado em cima da fotogtafia fica para sempre, ao contrário das lojas de revelação rápida do centro, que utilizam o papel vegetal e não fixam o registro. 

Na máquina antiga de Luís está o registro de casamento de um jovem casal que, não se sabe o moitivo, não foi buscar as imagens. Se ficou caro ou se faltou tempo, o importante é que a imagem de felicidade dos dois naquele momento foi revelada por Luís, para que a cidade inteira possa passar por ali e ver. 

Fotos: Evelin Araujo

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