Com a divulgação das imagens do assalto seguido de morte no Mercado Souza, no Bairro Caiçara, em Campo Grande, reabre-se a polêmica sobre a postura do policial militar e as condições de trabalho dos profissionais que buscam fazer "bicos" como segurança particular, para complementar a renda. Duas pessoas morreram no episódio e três armas foram apreendidas no local. Duas delas pertenceriam a dupla de ladrões e a terceira ao PM.
A câmera de segurança do mercado gravou a sequência do roubo ocorrido na última terça-feira, por volta das 20h. As imagens mostram quando o PM, à paisana, aproxima-se do mercado, e do lado de fora, atira contra um bandido, que morre na hora, e, ainda do lado externo, dispara contra o segundo assaltante, mas quem é atingido é o gerente do mercado, que morre instantes depois. O ladrão consegue fugir, mas é capturado após alguns minutos, com ferimentos de tiros de raspão.
As imagens, assim como os fragmentos de bala encontrados no local, estão sendo periciados e vão indicar, de forma oficial, de onde partiram os tiros que tiraram as duas vidas e ainda qual foi a dinâmica do crime. A partir disso, será possível entender se o procedimento adotado pelo PM teve caráter de imprudência, ou não.
Nenhum delegado, ou autoridade do Ministério Público, comentam a postura do policial a partir das imagens que vêm sendo veiculas pela imprensa. "Seria como fazer fofoca. Especular sobre coisas que não temos certeza", apontou a delegada adjunta, Aline Lopes, da Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e Juventude (Deaij).
Mesmo discurso adotado pelo promotor Douglas Oldergado. "Não podemos emitir juízo de valores neste momento", cita.
Mas, o que está previsto no Código de Conduta dos policiais é que eles têm o dever de intervir no momento em que percebem alguma ação criminosa. A forma de agir, entretanto, será objeto de análise no inquérito policial e depois na esfera do judiciário. "O policial deve fazer uso da força na medida da necessidade da situação. Ele deve considerar as circunstâncias como um todo", pondera o promotor.
Neste caso, em específico, além da possibilidade dos bandidos estarem na linha de tiro do PM, havia ainda mais quatro funcionários em risco no local. Em fase de inquérito policial, além do direcionamento das investigações a partir do resultado das perícias, as testemunhas na cena do crime vão ajudar as autoridades a montar o quebra-cabeças. "É preciso saber das testemunhas, por exemplo, se elas perceberam situação de risco de alguém que estava no local e o policial interveio por conta disso. O policial sabe, que quando ele está agindo só, não tem retaguarda de proteção. Ele parte para o tudo ou nada", continua o promotor.