O Serviço de Atendimento e Internação Domiciliar (SAID) prestado pelo Hospital Regional de Campo Grande atendeu no primeiro ano de funcionamento 23 pacientes, número que deve crescer com a montagem de mais uma equipe de profissionais. Instituição pública pioneira nesse tipo de atendimento em Mato Grosso do Sul e uma das poucas no País, o HR comemora neste mês de julho um ano dessa experiência que dá mais conforto ao paciente que tem condição de continuar o tratamento em casa, próximo da família, e com o acompanhamento diário da equipe médica. Ao mesmo tempo, abre vagas de leitos no hospital para outros pacientes.
Atualmente há 12 pacientes sob os cuidados do SAID na Capital. A secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi, explica que este não é um serviço que cresce rapidamente em termos de quantidade, porque é preciso ter muito critério na inclusão de pacientes.
“O médico precisa estar absolutamente seguro de que não haverá risco, que o paciente vai continuar em segurança. A residência tem que ter condições para montar todo um aparato hospitalar dentro do quarto, cama, às vezes oxigênio, material curativo, os próprios medicamentos, aparelho de medir pressão, termômetro, enfim, um espaço que seja somente para uso daquela pessoa e que tenha abastecimento de água, condições de higiene”, elenca a secretária. Aliado a isso, a condição principal é a que a família assimile esses cuidados, e que preferencialmente, haja um que se responsabilize em ser o 'cuidador'. “Ele vai receber as instruções, as orientações que a equipe vai deixar. Tem que ser uma pessoa alfabetizada para compreender as orientações por escrito”, completa Dobashi.
O serviço de atendimento e internação domiciliar está incluído em uma das linhas de cuidados prioritários que vem sendo discutidas por gestores de saúde de todo o País através da Comissão Tripartite – formada por representantes do Ministério da Saúde, dos Estados e dos Municípios. Esse tipo de serviço faz parte da Urgência e Emergência, onde são elencadas as ações desde a promoção e a prevenção. Uma portaria abrangente já foi publicada estabelecendo como deve ser a atuação global da Urgência e Emergência.
A partir desse normativo, a Comissão está desmembrando esses procedimentos, com portarias específicas para cada ponto – já foram publicadas as portarias relativas às UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Segundo Beatriz Dobashi neste mês de agosto deve ser publicada a portaria do atendimento e internação domiciliar.
A partir de então, municípios e os próprios estados poderão se candidatar a prestar o serviço, e o Ministério da Saúde vai repassar mensalmente R$ 34 mil por equipe, para custeio dos trabalhos. Independente da adesão municipal, mesmo em Campo Grande, o serviço do HR vai continuar sendo oferecido, e até ampliado, anuncia a secretária. “O nosso programa vai continuar, normalmente. Nós vamos receber esse recurso poderemos montar mais uma equipe”.
A experiência desenvolvida nesse primeiro ano é resultado de investimento próprio do governo do Estado, e nasceu da iniciativa de um grupo de profissionais do HR. Ao participar de um curso de gestão no Hospital Sírio Libanês em São Paulo, a equipe apresentou como projeto de conclusão a proposta de instalar aqui o serviço de atendimento domiciliar. “O governador autorizou e nós implantamos”, lembra a secretária de Saúde. A operação do SAID demanda uma equipe específica, que não atende no Hospital mas fica inteiramente à disposição dos pacientes do programa. A remuneração, pagamento dos plantões, o transporte da equipe, os custos de reposição de todos os materiais utilizados na internação em casa são bancados pelo serviço.