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GESTÃO

Google é bicampeão no Melhores Empresas para Trabalhar em TI e Telecom

Google é bicampeão no Melhores Empresas para Trabalhar em TI e Telecom

Redação

31/07/2011 - 04h00
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Os googlers voltaram. E eles não são cultivados em cativeiro. Ao contrário, se reproduzem em um dos ambientes mais agradáveis e descontraídos da área de TI e Telecom, somando no mundo cerca de 26 mil, dos quais 330 habitam no Brasil. Tratam-se dos funcionários do Google, que trazem em seu DNA a cultura da empresa.

Mais uma vez, eles foram os principais responsáveis por conceder ao maior buscador de internet do planeta [empresa que fatura 29,3 bilhões de dólares] a primeira posição no ranking das Melhores Empresas para Trabalhar em TI & Telecom 2011, realizado há seis anos pelo Great Place to Work® e divulgado pela COMPUTERWORLD. A organização conquistou o título também no ano passado.

“O espírito do Google continua o mesmo. Temos uma organização muito dinâmica e fluida, sem horários e organogramas, mas com metas e valores muito claros”, diz o presidente Fábio Coelho, que assumiu o cargo em março deste ano.

O executivo acredita que ao oferecer um ambiente descontraído, com recursos necessários para desenvolver soluções em escala, “funcionários de qualquer lugar do mundo se sentem satisfeitos em trabalhar no Google”.

Mônica Duarte Santos, diretora de Recursos Humanos do Google, diz que não basta ter mesas de sinuca e de pingue-pongue integradas ao ambiente de trabalho, horário flexível, e ausência de modelo hierárquico de gestão.

“O importante é que os funcionários, os nossos googlers, mantenham viva a cultura da empresa, sua história, suas crenças e a maneira como as pessoas se relacionam” diz.

A executiva revela que o segredo do sucesso na conquista do título de Melhor Empresa para Trabalhar está diretamente ligado à seleção acertada dos integrantes do time. Na opinião de Mônica, que possui três anos de casa [um deles no comando do RH], somente com os funcionários corretos é possível atingir metas e preservar a cultura Google.

O que tem um googler? Fala, lê e escreve inglês fluentemente, sem o qual ficaria à margem de todas as convenções internacionais [estratégicas] realizadas ao longo do ano. Tem estilo de liderança participativa, independentemente se ocupa ou não cargo de gestor, facilidade de integração, afinidade com a informalidade e gosta de tecnologia, especialmente dos produtos da empresa.

“No final de junho, toda a área de vendas da América Latina viajou a São Francisco (EUA) para a Conferência de Vendas das Américas. Todas as apresentações e vídeos foram em inglês, quem não domina o idioma fica de fora”, diz Mônica.

Segundo Mônica, o Google quer pessoas que estão preocupadas com o meio ambiente, em linha com a comunidade. “Já contratamos atletas”, destaca. E que se interessem por tecnologia. “Normalmente, quem quer trabalhar aqui gosta de tecnologia.” Outro segredo do sucesso da gestão do Google, segundo Mônica, é que diferentemente do que acontece em outras organizações, o departamento de RH não define um programa e depois busca a ajuda do board para implementá-la.

“Aqui é o contrário: as ações, em sua maioria, são discutidas no board e o RH faz acontecer. O RH é uma área de apoio para que o Google possa manter viva a sua cultura”, revela e reforça: “Traçamos estratégias para apoiar a cultura que foi construída. Por isso, ela não se perde.” Como desafios no comando do RH da melhor empresa para trabalhar, Mônica destaca a expectativa de crescimento muito grande para este ano [50% na América Latina, onde o Brasil tem participação expressiva]. “O trabalho será intensificado para preservar a cultura em meio aos novos contratados.” O outro é, segundo ela, assegurar que seja entregue a cada um dos funcionários o que eles estão buscando. “Temos o compromisso de atendê-los.”

Seleção no Google

O processo inclui procedimentos tradicionais como avaliação de currículo e entrevistas. O diferencial, segundo Mônica, está nas entrevistas, que costumam totalizar quatro. O candidato é entrevistado não somente pelo RH, mas também por profissionais das áreas que estarão diretamente envolvidas com o cargo da vaga. “Estão incluídos gestores e equipe”, ressalta Mônica.

Todas têm objetivos concretos de avaliação, prossegue Mônica, e podem ser eliminatórias, procurando analisar experiência profissional, conhecimentos específicos da área, habilidades cognitivas [como a pessoa soluciona problemas, toma decisões, características de liderança etc].

“Não buscamos candidatos extremamente experientes. E sim aqueles que se interessam por influenciar, em liderar. Ainda que a vaga não seja para gestor. Uma pessoa pode ser líder em seu ambiente acadêmico, por exemplo, e ser líder a vida inteira”, afirma a executiva do RH.

A matriz participa da seleção, muitas vezes em uma das entrevistas e também por meio da análise dos relatórios gerados em cada uma delas. “O gerente que está contratando não toma a decisão sozinho. Ela é conjunta, consensual e colegiada.” Perguntada sobre a importância de como o candidato se veste e se expressa para a entrevista, Mônica diz que o Google não dá importância como acontece em outras empresas. “No Brasil ou nos Estados Unidos, você vai ver pessoas trabalhando de bermudas e chinelos, incluídos gestores. Buscamos a essência da pessoa e as que se relacionem bem.”

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