Enquanto o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) defende que dentro do tribunal o réu é “excelência” - por conta dos recursos aos quais pode recorrer - e destaca as ameaças de violência sofridas pelos profissionais de Direito, o presidente da Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul), juiz Olivar Augusto Roberti Coneglian, acredita que não só os magistrados vivem uma época de insegurança, mas a população também convive constantemente com o medo.
“Nos últimos 12 anos, tivemos pelo menos cinco casos graves de ameaças a magistrados. Foi necessário se utilizar de inteligência em investigação, escuta telefônica autorizada e escolta descaracterizada. Eu, pessoalmente, já sofri há cerca de nove anos, um tipo de ameaça. O que nos preocupa é que enquanto um juiz de direito está sofrendo ameaças, como deve estar o cidadão comum? Ele deve estar muito mais amedrontado do que o próprio magistrado”.
Coneglian afirma que a cautela por parte de um profissional de Direito tem de ser um exercício diário e um verdadeiro sacerdócio, afinal da mesma forma que o cidadão não se sente seguro, o juiz admite não se sentir em segurança. Ele acredita que só estará seguro quando todos os cidadãos também estiverem. “Será raro falarmos de ameaças aos magistrados quando a número de ameaças à população for diminuído, pois o que ocorre com o juiz é o que ocorre de uma maneira mais ampla com todo cidadão”, afirma.
Para o presidente da Amamsul, a solução está no que chama de “banho de cidadania”, no qual a prioridade seria a conscientização do povo. “Como o cidadão pode exigir que o outro faça o que ele não faz? Como pode exigir que vá para a cadeia quem atropela alguém em alta velocidade se ele mesmo corre ao volante quando está dirigindo?”, exemplifica.
O magistrado defende que somente prender as pessoas quando já entraram para o mundo do crime de nada adianta, elas precisam antes ser conscientizadas enquanto cidadãs, não apenas através da criação de cadeias e aumento do número de policiais, mas também implantando a educação para que a população pratique um número menor de atos ilícitos.