Cidades

112 ANOS

Capital já serviu de inspiração para vários artistas

Capital já serviu de inspiração para vários artistas

Redação

26/08/2011 - 14h51
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Histórias, problemas, personagens e movimentos de uma cidade. A abordagem pode ser variada, assim como a forma de expressão. Ao completar 112 anos, a Capital já serviu de fonte inspiração para escritores, dramaturgos, artistas plásticos, coreógrafos, entre outros. A seguir alguns exemplos da cidade servindo à arte ou da arte eternizando momentos da cidade.

Poesia

De origem, o poeta Reginaldo Costa de Albuquerque, 47 anos, é paraibano. Agora, quando é o assunto é o coração, ele é campo-grandense, com certeza. Na cidade desde 1979, o funcionário público descobriu, há uma década, que podia dar novas colorações às palavras por meio de poemas, contos e crônicas. Mesmo com pouco tempo de dedicação à literatura, acumulou premiação em cerca de 200 concursos – a maioria absoluta fora de Mato Grosso do Sul. O afeto à cidade que adotou fica explícita por meio dos poemas que escreveu sobre alguns pontos conhecidos presentes no primeiro livro, “Sonetos no azul da tarde”. Uma delas é uma homenagem ao Obelisco.

Entre buzinas pelo azul se apruma
o vulto do obelisco altivo e mudo,
e ali impera indiferente a tudo,
vendo as horas passarem de uma em uma.

De faixa onde erra sua sombra, suma
brancura tinge seu perfil agudo.
E o régio corpo ora espada, ora escudo,
guarda o passado nos carris da bruma
Na solitude de cimento e pedra
sem sonho, sem infâncias ou saudade,
brônzeo relevo de um legado medra...
Ao contemplar seu porte soberano,
simbolizando antiga afinidade,
julgo bater um coração humano.

“Achei importante colocar esses poemas sobre a cidade no meu primeiro livro. Agora quero lançar uma obra reunindo contos e crônicas, possivelmente deva aparecer algum texto tendo Campo Grande como cenário, alguma coisa que aconteceu na cidade deve me inspirar”, destaca Reginaldo.

Dança

Chico Neller é um dos mais destacados coreógrafos de Mato Grosso do Sul e em vários momentos da carreira utilizou a cidade como fonte de inspiração. Em alguns espetáculos que criou para a Ginga Cia de Dança isso fica evidente, tanto que ao completar 20 anos, a formação apresentou “Campo Grande tem ginga”, que mostrava um pouco a trajetória do grupo e destacava, entre outros elementos, as danças presentes na cidade.

Segundo Chico, mesmo quando a montagem tem uma persperctiva mais ampla, além da cidade, o fato do grupo estar fixado aqui, torna a observação marcada pela realidade local. Isso apareceu com força nas montagens da série “Raízes 1, 2 e 3”. Este último recebeu o título “100 por cento”. “Ao abordar aspectos do Centro-Oeste, é a partir daqui, Campo Grande, que fazemos isso; quer dizer, tem muito da cidade no espetáculo”, avalia. Outro momento no qual a cidade ganhou força nos movimentos estudados dos bailarinos do Ginga foi em “Cultura bovina”, que ganhou os palcos de vários pontos do Brasil por meio do Projeto Palco Giratório, patrocinado pelo Sesc Nacional. “Era uma reflexão sobre questões culturais e políticas tendo o Estado e Campo Grande como motes”, aponta o coreógrafo.

Teatro

A diretora e dramaturga Cristina Mato Grosso ao longo da carreira, além da pesquisa preciosa sobre o teatro português do fim da Idade Média e da cultura popular, colocou no palco questões referentes ao cotidiano do campo-grandenses.

Dos vários trabalhos, recorda com carinho dos espetáculos “Anhanduizinho, meu amor” e “Pedregulho, meu amor”. Este último, montado em 1998, marcou o seu grupo, Gutac/Inecon. “A peça mostrava o que aconteceu com a região da nascente do córrego Pedregulho, no Jardim Noroeste, que foi loteado sem que houvesse nenhuma ação social de assistência no local.

O resultado foi o desaparecimento de uma área ambiente que devia ser protegida. Na época, isso foi feito com interesse eleitoral. O espetáculo traz uma discussão sobre uma política de Estado para questões sociais e ecológicas”, ressalta Cristina. Em “Anhanduizinho...”, a encenação contou a origem dos principais córregos que cortam a cidade e seus problemas.

Excluídos

No fim da década de 1990, um grupo de curta duração – cerca de um ano –, o Sangue Bom, resolveu colocar em evidência os excluídos da Capital. Em “Pelas ruas da cidade” destacava a proibição da entrada de moradores de rua no Belmar Fidalgo. “Na época, eles sofriam preconceitos e resolveram contar tudo isso no teatro. Vários moradores atuaram em cena. Era um outro lado de Campo Grande, bem distante do cartão portal”, destaca o diretor Fernando Cruz. Pelo visto, a Cidade Morena ainda servirá de matéria-prima para muitas reflexões e encantamentos.

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