A presidente da República, Dilma Roussef, afirmou nesta sexta-feira que o governo brasileiro não planeja "achatar salários", tornar precárias as relações no mercado de trabalho ou "manipular a taxa de câmbio" para enfrentar a crise internacional de países desenvolvidos. "Nós não vamos nem achatar salário, nem precarizar mercado de trabalho ou manipular a taxa de juros", disse.
Segundo a presidente, o Brasil tem uma poupança considerável em dólares para se proteger e não precisa de medidas que comprometam a renda do trabalhador. "Temos 420 bilhões de depósitos compulsórios, (...) mas não achamos que somos uma ilha isolada", disse.
Para Dilma, a piora no cenário da economia em países desenvolvidos é normalmente acompanhada por aumento no protecionismo dos mercados - fato que está no radar do governo brasileiro. "Estamos alertas, porque sabemos que a diminuição do ritmo nas economias é acompanhado por um acirramento do protecionismo", disse a presidente durante envento em São Paulo.
Ela defendeu as parcerias público-privadas como melhor forma de modernizar a infraestrutura do Brasil, sem fazer com que outros setores paguem o preço. "Acreditamos que esta forma é a mais correta, a mais produtiva e a mais barata. É um problema que o País não vai superar em dez anos, porque ficamos 20 anos sem investir. Ou melhor, investimos um pouco, mas muito menos do que era preciso investir", disse.
Dilma afirmou que o Brasil precisa construir aeroportos não apenas para eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas para criar uma capacidade sistemática de produção. "Vamos fazer concessões de aeroportos tendo no horizonte o ano de 2041. É para este ano que vamos orientar as concessões de aeroportos. Em outros, 2031", disse a presidente.