A Prefeitura de Campo Grande afirmou ontem que a área do Lixão do Morumbi, localizada no cruzamento das avenidas Tamandaré e Euler de Azevedo era utilizada "somente para a deposição de entulho e materiais de construção e nunca recebeu lixo orgânico". A diretora do departamento de licenciamento e monitoramento ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), Denise Name, informou que as licenças para a construção de um residencial na região são de 2005 e que a liberação das obras ocorreu "porque houve estudo de solo feito pela empreiteira responsável pelo empreendimento".
Segundo moradores da região, o terreno também servia para a deposição de restos de materiais de construção civil, mas a maior parte dos resíduos jogados era lixo orgânico. Em matéria divulgada ontem, o engenheiro responsável por um dos empreendimentos no local, Eduardo Abdul Ahad, afirmou que "o espaço usado para a deposição de material orgânico era muito pequeno. Dos 32 hectares da área, apenas quatro mil metros (cerca de meio hectare) eram utilizados como lixão. Nesse espaço, até agora, não há nada construído".
Segundo Denise Name, atualmente a prefeitura não está preparada para realizar análises de locais que durante algum período funcionaram como lixões. "A prefeitura dispõe de técnicos que acompanham a instalação das obras, mas não temos aparelhos necessários para fazer a medição de gases, como o metano (CH4), por exemplo", afirma. No caso da área do antigo Lixão do Morumbi, Denise diz que "como os laudos apontam que não havia vestígio de lixo no solo não existe porquê fazer o monitoramento".
Aterros
O engenheiro civil e mestre em meio ambiente Marcus Silvério Menezes — que fez o alerta sobre os riscos de se construir em áreas que anteriormente funcionavam como "lixões" — afirma que mesmo em regiões onde houve apenas o despejo de material de construção e entulhos, o monitoramento é importante. "No caso do entulho, quando é feito o aterramento, deve haver uma compactação muito bem feita, senão ficam espaços vazios entre as peças, que com o tempo podem se movimentar e causar rachaduras".
Na manhã de ontem ele acompanhou a reportagem em outro local usado como aterro, na saída para Cuiabá, no Bairro Nova Lima. No antigo aterro, agora funciona uma empresa de reciclagem de pneus. "Essa é uma destinação correta, porque o risco de danos ao meio ambiente ao próprio empreendimento são muito baixas", finalizou.