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Visita do Papa João Paulo completa 20 anos hoje

Visita do Papa João Paulo completa 20 anos hoje

Redação

15/10/2011 - 23h59
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A visita do Papa João Paulo II a Campo Grande completa 20 anos. O Santo Padre chegou na Base Aérea no início da noite de 16 de outubro de 1991, uma quarta-feira, dia em que comemorou 13 anos no pontificado. Entrou na cidade com o Papa-móvel, e foi recebido por centenas de fiéis ao longo das avenidas Duque de Caxias e Afonso Pena até a sede da Missão Salesiana de Mato Grosso (MSMT), na Rua Padre João Crippa, onde ficou hospedado.

Fiéis que esperavam o Papa cantaram pela primeira vez para ele a música Pai e Amigo, de autoria do padre Osmar Bezutte. O padre lembra que seguiu a pé da Obra Social Paulo VI, no Bairro Santo Antônio, à Avenida Duque de Caxias e, quando chegou ao local, os devotos pediram que ele cantasse o hino. “Viram a gente chegar e disseram: Padre Osmar, puxa o hino para nós”, contou.

Naquela noite, João Paulo II celelbrou missa na capela da Missão Salesiana, em comemoração aos seus 13 anos de pontificado. Jornais da época noticiaram que apenas mais quatro pessoas participaram da celebração: Dom Vitório Pavanello, o então diretor da Missão Salesiana na Capital, Antônio Secundino de Castro, o bispo Onofre, de Jardim e o bispo Isidoro, de Três Lagoas. Foi uma cerimônia simples, com muita oração. Padre Antonio disse aos jornalistas que o Papa agradeceu a Deus e pediu proteção para o 14º ano de pontificado.

Na manhã do dia seguinte, ele se encontrou com hansenianos no Hospital São Julião e, às 10h30, rezou a Missa Campal no local hoje conhecido como Praça do Papa.

Momentos marcantes
A missa foi longa, lembra o Padre Osmar. “O altar estava muito bonito, com imagens do Pantanal como pano de fundo e havia um coral com 500 vozes”, recorda. “O que me marcou mesmo foi a Missa. Eu estava muito envolvido com os cantos. Foi uma da missas mais bonitas que aconteceu segundo se falou na CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) na época. Houve coreografia, jovens com vestes apropriadas. Foi muito emocionante”.
À tarde, o Papa teve um encontro com leigos na Igreja Santo Antônio que, naquele dia, tornou-se catedral. Foi o momento mais marcante para a advogada Susana Alves da Motta, 65 anos, hoje aposentada. “Pude dar a mão, conversar com o Papa”, disse. “Foi muito rápido, ele me deu a benção, tinha uma multidão que queria ficar perto dele. Veio gente de todo o Estado. Beijei a mão dele e ele me entregou uma medalha e o terço”. E até mesmo de outras regiões do País. Inclusive, os pais dela vieram de Porto Alegre (RS) para vê-lo.
 


Susana coordenava a catequese na Paróquia São José e era integrante da equipe diocesana de catequese. Participou de todo o trabalho preparatório para a recepção ao Santo Padre, que durou aproximadamente um ano e foi coordenado por Dom Vitório e pelo Padre Antônio Secundino de Castro, que morreu em 2005. Ainda hoje, Susana guarda como lembrança um medalhão e um terço que recebeu das mãos de João Paulo II.

Também coleciona recortes de jornais, cartas dos catequisandos, novena preparatória à chegada do líder católico, cartilha com respostas sobre o trabalho papal, listas das pessoas que receberiam comunhão das mãos de João Paulo, mapas distribuídos à população sobre os locais onde seria possível avistá-lo, relação dos ministros que trabalhariam na missa, orientações, crachás de acesso, fotos. Susana acompanhou três visitas do Papa ao Brasil, em Porto Alegre (1980), no Rio de Janeiro (1997) e em Campo Grande.

João Paulo II ficou 23 horas na Capital de Mato Grosso do Sul. A expectativa era que mais de 300 mil pessoas participariam da missa campal. Conforme a comissão organizadora, 350 mil assistiram a celebração mas, conforme o jornal Zero Hora apurou com o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, o público foi de 50 mil.

Alheia aos números, Susana conta que recentemente recebeu uma graça pela intercessão do beato. “Aconteceu uma situação desagradável e passei em frente ao quadro que tenho em casa do Papa. Pensei: o Papa vai nos ajudar a superar isso. Foi uma graça muito importante”.

CANÇÃO 

A canção que marcou a visita de João Paulo II a Campo Grande foi composta pelo Padre Osmar Augusto Bezutte, hoje com 63 anos, a pedido do então arcebispo da Capital Dom Vitório Pavanello. Pai e Amigo - Hino a João Paulo II - foi a única música regional incluída nas apresentações oficiais ao Papa.


“Dom Vitório queria algo bem simples para o povo cantar. A letra traz um conjunto de espiritualidade que está ao redor do Papa João Paulo II”, disse Padre Osmar. “Eu fiz a letra e houve uma assembleia no Colégio Auxiliadora para apreciá-la. Foi uma letra construída em mutirão”, afirmou, embora apenas duas palavras tenham sido trocadas da canção original.
Em entrevista ao Correio do Estado, 20 anos atrás, Padre Osmar contou que encontrou inspiração em orações. “Tenho uma dívida de gratidão para com Deus, pois senti que naquele dia estava com uma inspiração fora do normal”, comentou ele, em matéria publicada na edição de 19/20 de outubro de 1991. 

Um dos versos faz referência à coragem de Paulo, o apóstolo que empreendeu três longas viagens para levar o Evangelho aos gentios, e enfrentou inúmeras perseguições. “É impossível dizer em um verso tudo aquilo que significa Paulo”, comentou Padre Ormar. 
Assim como o apóstolo, João Paulo II tinha forte vocação missionária. Ele acreditava que deveria visitar o maior número de igrejas do mundo para levar orientação e entusiasmo e conhece-las de perto, para ajudá-las e guiá-las da melhor maneira possível. Fez mais de 200 peregrinações, algumas delas, incluindo vários países. Na época da visita a Campo Grande, a igreja noticiava que João Paulo II já havia feito 49 viagens pastorais fora da Itália, tendo percorrido 789,2 mil quilômetros, o equivalente à distância de ida e volta à Lua. 

Ouça os versos
Durante a entrevista com Padre Osmar, ele cantou um trecho da música Pai e Amigo, que a partir de hoje está disponível no Portal do Correio do Estado.

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