Em coletiva de imprensa na tarde de hoje (26), representantes do Ministério Público Estadual, do Gaeco ( Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e da Polícia Militar falaram a respeito das operações "Fumus Malus" e "Holambra", deflagradas para combater uma quadrilha de policiais corruptos que permitiam a passagem de mercadorias contrabandeadas, especialmente cigarros.
Vinte e quatro policiais foram presos, um está foragido e 34 cidadãos comuns também foram detidos. Destes 24 policiais, oito foram presos na última segunda-feira (24) e 15 foram para a cadeia hoje, durante a operação "Fumus Malus" e pertenciam ao 12º Batalhão de Naviraí (MS). Um dos policiais que foi dado como foragido na ação "Holambra" apresentou-se hoje.
A promotora Jiskia Trentin explicou que os policiais corruptos se dividiam em dois grupos, um deles ficava em Sidrolândia e outro no sul do Estado. Eles recebiam propina para permitir que produtos como pneus, cigarros, bolsas e outras mercadorias falsificadas e de contrabando chegassem ao destino sem serem apreendidos.
De acordo com a promotora, o esquema acontece há cerca de 8 anos e policiais militares, alguns da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) recebiam de R$ 500 a R$ 1000 para permitir o contrabando. As mercadorias vinham do Paraguai, entravam por Ponta Porã (MS) e eram distribuídas para todo o Brasil. Segundo Trentin, foram descobertos casos de extorsão, onde os policiais retiam os caminhoneiros, não permitindo a passagem antes que fosse acordado um valor. Alguns envolvidos também serviam de "batedores", vindo à frente do contrabandista para permitir que a mercadoria passasse.
O comandante geral da PM, Coronel David, já determinou que seja instaurado um Conselho de Disciplina para em 30 dias verificar se a conduta desses policiais os permite permanecer nos quadros da Instituição ou se devem ser sumariamente excluídos. As investigações continuam e mais policiais podem estar envolvidos no esquema.
Ameaça
O Coronel David falou também sobre a ameaça de morte que sofreu. Conforme o comandante, o Serviço de Inteligência da PM o contactou há 30 dias para comunicar a ameaça, que já esta sendo apurada. “Imagino que foi feita para nos intimidar”, disse.
Operação
A operação aconteceu em Naviraí, Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Mundo Novo, Amambai, Sete Quedas, Bataiporã e Campo Grande para desarticular quadrilha formada por civis e policiais militares acusados de facilitarem o contrabando de cigarro.
Os civis presos foram conduzidos para o Ministério Público de Naviraí. Os policiais militares para a sede do 12° BPM, no mesmo município. Em Campo Grande, os detidos foram encaminhados para a Corregedoria-Geral da PMMS.
As investigações iniciaram em outubro de 2010 pela Agência Central de Inteligência da PM (ACI), que averiguava o desvio de conduta de PMs envolvidos com o contrabando de cigarros na região sul do Estado.