Se em 24 horas Hugleice da Silva não informar à Justiça o seu atual endereço, a Justiça pode revogar o habeas corpus que o colocou em liberdade no último dia 19 de setembro. Ele não compareceu ontem (24) ao fórum de Sidrolândia para participar da audiência em que seriam ouvidas quatro testemunhas de acusação do Caso Marielly. A jovem de 19 anos morreu após um aborto malsucedido que teria sido realizado em Sidrolândia pelo enfermeiro Jodimar Ximenes, que continua preso.
O advogado de Hugleice, cunhado de Marielly que teria levado a jovem até a cidade para fazer o aborto, disse à juíza que ele não compareceu por estar "em lugar incerto e não sabido". José Roberto da Silva tentou convencer a juíza Sílvia Eliane Tedardi da Silva a dispensá-lo da exigência.
Segundo David Mora de Olindo, que defende Jodimar, durante o depoimento das duas testemunhas ouvidas ontem (Ana Paula e William Ximenes, ambos primos do enfermeiro) ficou clara a estratégia do advogado de Hugleice de arrancar declarações que ajudem a inocentá-lo.
Questionadas por José Roberto, as testemunhas garantiram que só conheceram o cunhado de Marielly pela televisão (por conta do noticiário sobre o desaparecimento e localização do seu corpo). “Ele quer sustentar que Hugleice é inocente e só confessou participação na morte da cunhada porque estava preso e foi pressionado pela Polícia”, explica David.
As duas testemunhas que foram ouvidas nesta quinta-feira foram determinantes para que Jodimar não fosse colocado em liberdade. Ana e William disseram à Polícia que o primo enfermeiro as teria ameaçado.
O enfermeiro Jodimar Ximenes permaneceu algemado durante toda audiência já que o Fórum de Sidrolândia não possui policiamento. A Justiça também solicitou que as testemunhas, que estão na Comarca de Nioaque, sejam ouvidas por carta precatória.
A audiência foi adiada para 5 de dezembro porque uma das testemunhas de acusação não compareceu.
O advogado de Hugleice não foi encontrado até o momento para prestar esclarecimentos.
Caso Marielly
O fato ganhou repercussão em todo Mato Grosso do Sul. Marielly Rodrigues morreu durante um aborto malsucedido, que, segundo relatos de Hugleice e provas da investigação, foi feito por Jodimar, na casa dele, em Sidrolândia. A morte aconteceu no dia 21 de maio, data em que ela foi vista pela última vez pela mãe, que mobilizou parentes, amigos, vizinhos, políticos e a opinião pública para encontrar a filha.
O corpo da universitária foi encontrado em 11 de junho em um matagal de Sidrolândia, em estado de decomposição. Em julho foi decretada a prisão de Hugleice, que até então negava qualquer envolvimento com o caso, e de Jodimar, que continua a alegar inocência.
Após dois dias na prisão, Hugleice, que é casado com a irmã de Marielly, confessou que teve relação sexual com a cunhada, que a levou para fazer aborto na casa de Jodimar, para quem pagou R$ 500. Hugleice relatou ainda que enquanto esperava a jovem, o enfermeiro contou sobre a morte e então os dois colocaram o corpo da jovem na caminhonete dele e o deixaram no matagal.
A Justiça concedeu liberdade a Hugleice em setembro e Jodimar continua preso.
De acordo com despacho da magistrada, ambos os réus já apresentaram defesa preliminar e discordaram das acusações relatadas na denúncia do MPE (Ministério Público Estadual).
(Com informações do Região News)