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caça-níqueis

Para evitar prejuízos, máfia da jogatina se espelha em lan houses

Para evitar prejuízos, máfia da jogatina se espelha em lan houses

Redação

13/01/2012 - 13h15
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Máquinas caça-níqueis de alta tecnologia foram apreendidas pela primeira vez pela Polícia Civil em Campo Grande na noite de quarta-feira. As máquinas estavam em uma casa de alto padrão no Jardim dos Estados e havia aberto as portas recentemente. Uma denúncia anônima levou a Delegacia Especializada de Ordem Pública e Social (Deops) ao local, mas não havia jogadores no momento da apreensão, apenas o gerente do estabelecimento, Rafael Martins.

Foram apreendidas 14 máquinas que estavam dispostas na sala de estar da casa. As instalações bastante confortáveis contribuíam com o tempo de permanência dos jogadores em frente aos aparelhos. Diferentemente das outras apreensões que vinham sendo realizadas pela polícia, as máquinas encontradas na casa não tinham “noteiros”, os reservatórios para depósito de dinheiro.

“O sistema lá era diferente porque o jogador não colocava o dinheiro na máquina, mas efetuava o pagamento ao gerente por tempo de jogo e então ele liberava a máquina para funcionar no horário previsto. É uma organização similar às Lan Houses (locais onde paga-se por hora para ter acesso à internet)”, comparou o delegado responsável pela Deops, Silvano Mota.

Os monitores eram telas de LCD, bastante novas, descreveu o delegado, e com CPUs interligadas em uma espécie de rede comandada pela máquina do gerente. “Antes, as máquina eram independentes”, citou o delegado sobre outra inovação dos produtos apreendidos na quarta-feira.

Os prêmios, no entanto, saíam à moda antiga: a própria máquina avisava sobre a premiação que variava de acordo com o volume empenhado no jogo e se havia acúmulos de prêmios anteriores.

A Polícia Civil explica que as novas máquinas sem os coletores de dinheiro trata-se de mais uma tentativa dos grupos criminosos para burlar os prejuízos, em caso de apreensões. “É mais vantajoso não deixar dinheiro nas máquinas para não sofrer muitas perdas se o local for descoberto”, destaca o delegado. Com o gerente, foi apreendido apenas o total de R$ 150 em cédulas de dinheiro.

Depósito e fábrica
Após a localização da casa de luxo no Jardim dos Estados, os policiais foram informados de que havia um depósito na Vila Piratininga com mais máquinas caça-níqueis. Ao checar o local, a polícia constatou que além de depósito também funcionava no endereço uma fábrica de caça-níqueis.

Mais 14 máquinas prontas para utilização, mas no padrão convencional com o coletor de dinheiro, foram apreendidas. Outras 20 carcaças foram levadas e segundo o delegado da especializada, estavam em processo de montagem. “É preciso um marceneiro para fazer uma espécie de caixote para dar apoio aos computadores; e um técnico em informática para instalar os softwares dos jogos”, resumiu a autoridade policial sobre a simplicidade do processo de contrução de um caça-níquel.

Provavelmente, as máquinas fabricadas eram usadas em Campo Grande. No entanto, não há indicações, pelo menos até o momento, de que as máquinas apreendidas no Jardim dos Estados sejam produzidas em Campo Grande.

As informações prelimanares sobre o dono dos locais dão conta de que ele é do Rio de Janeiro e estabeleceu-se na cidade há pouco tempo. (MR)

Para onde vão ?
Centenas de máquinas caça-níqueis ou parte delas, como os caixotes de madeira que apóiam os computadores, estão em um depósito da Polícia Civil, em Campo Grande, armazenadas até decisão judicial sobre a destinação dos produtos.

Na grande maioria das vezes, é a própria Polícia Civil que fica com o material. Os monitores mais sofisticados são encaminhados para uso em delegacias. Já as máquinas de modelos mais antigos têm peças separadas e reaproveitadas, informa a Polícia Civil. 

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