A Liga Árabe anunciou neste sábado (28) a suspensão de sua polêmica missão de observação na Síria, por causa da escalada na repressão do regime de Bashar Al-Assad contra os manifestantes. Os observadores permanecerão no país, mas paralisarão o trabalho. A missão foi enviada em dezembro, após ampla negociação com o regime de Assad.
A incapacidade dos observadores de interromper a violência rachou a organização. A Arábia Saudita e as monarquias sunitas do Golfo Pérsico retiraram seus observadores de Damasco na última terça-feira, em sinal de protesto, quando a missão foi prorrogada. A oposição síria também tem classificado a missão como inoperante.
Em nota, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil El-Arabi, disse que "dada a crítica deterioração da situação na Síria e o contínuo uso da violência, decidiu-se por interromper temporariamente o trabalho da missão na Síria". O assunto será agora discutido pelos países membros da Liga Árabe.
O analista de Oriente Médio da BBC, Sebastian Usher, diz que a suspensão não surpreende. Ativistas de direitos humanos acusam Assad de usar a missão para ganhar tempo.
Desde a última terça-feira, quando a missão foi prorrogada, pelo menos 200 pessoas morreram na repressão, segundo estimativas conservadoras de ativistas. Só neste sábado seriam 30 mortos.