No primeiro discurso televisionado desde o massacre de 108 sírios na cidade de Houla, no final de semana passado, o presidente da Síria, Bashar Al Assad, negou hoje (3) que as forças de seu governo tenham tido participação na matança.
Em pronunciamento ao recém-eleito parlamento do país, Assad disse que seu país está enfrentando um violento ataque regional e internacional, mas destacou que a população rejeita a interferência externa em seu território. “O que aconteceu em Houla e em outros lugares [da Síria] foram massacres brutais que somente monstros seriam capazes de perpetrar”, alegou o presidente.
Assad voltou a atribuir a violência na Síria a terroristas apoiados no exterior, que visariam a “criar um projeto de dissenso” no país. Para o presidente, a única forma de enfrentar as "ameaças de enfraquecimento e de quebra de soberania da Síria" é pelo diálogo político. Mas ele ressaltou que não pretende negociar com quem não representa a vontade do povo sírio.
As 108 pessoas mortas em Houla – na maioria mulheres e crianças – foram atacadas a facadas ou a tiros à queima-roupa em 25 e 26 de maio. Investigadores da ONU dizem que a maioria das vítimas foi executada, e testemunhas acusam milícias aliadas do governo pelos crimes. O governo, no entanto, atribuiu o massacre a "grupos armados" que pretendem forçar uma intervenção externa na Síria.