A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, tem que ser mais do um espaço de conceito e filosofia na opinião do escritor e engenheiro Fernando Almeida. O autor do livro “Desenvolvimento Sustentável 2012-2050”, que participou da Rio92, disse que os países avançaram pouco nestes últimos vinte anos na consolidação de um novo modelo econômico que considerasse os riscos reais da degradação ambiental para o desenvolvimento do mundo.
“A percepção dos grandes pensadores é a de que regredimos. A maioria dos indicadores ligados ao desenvolvimento sustentável, como a dos animais em extinção, a qualidade da água, a miséria acirrada com crise de 2008, se tornaram piores e mais preocupantes”, disse. Para o engenheiro, os chefes de Governo que vão participar da conferência precisam definir projetos que realmente saiam do papel e tenham escala capaz de provocar transformações.
“Podemos dizer que os conceitos avançaram na mídia, na academia e entre algumas organizações da sociedade civil, mas não atingiu as lideranças empresariais ou governamentais. O debate de 1992 não se reverteu em projetos de desenvolvimento sustentável que tirasse a Amazônia de risco, ou que revertesse a extinção dos corais da Austrália, ou ainda que extinguisse a pobreza na África”, avaliou Almeida.
Um dos objetivos da conferência que ocorre no Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 22 de junho, é avaliar o que foi feito pelos países desde a Rio92, que resultou na assinatura de importantes acordos como a Agenda21, um documento que orientava ações para um novo modelo de desenvolvimento que reduzisse os impactos ambientais. Para Fernando Almeida, a Agenda21, que deveria ser adotada por todos 110 países que participaram da convenção, “ficou na retórica”.