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Greve faz Correios suspenderem serviços em alguns estados

Greve faz Correios suspenderem serviços em alguns estados

Redação

20/09/2012 - 07h00
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A greve dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) provocou a suspensão, desde a tarde de ontem (19), dos serviços prestados com hora marcada, entre eles o Sedex 10, o Sedex Hoje e o Disque-Coleta. Anunciada pela própria empresa, a suspensão vale inicialmente para a Grande São Paulo e para os estados do Paraná e do Tocantins, além do Distrito Federal.

A paralisação atinge 20 das 27 unidades da Federação. Segundo a direção dos Correios, 10,7 mil trabalhadores pararam suas atividades no primeiro dia do movimento, o que corresponde a 9% dos 120 mil funcionários da empresa. Já o comando de negociação da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) estima uma adesão média de 60% nos estados que deflagraram o movimento.

Integrante do comando de negociação da Fentect, Sebastião Cruz adiantou, em entrevista à Agência Brasil, que hoje (20) as assembleias de greve devem analisar e votar a apresentação de uma nova proposta por parte da categoria. A contraproposta seria baseada em uma sugestão feita ontem pela ministra Cristina Peduzzi, vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em audiência na sede do tribunal, a ministra propôs reajuste salarial de 5,2%, aumento linear de R$ 80, reajuste de 8,84% do vale-alimentação e a manutenção das demais cláusulas sociais atualmente em vigor, além da compensação dos dias de paralisação.

"Vamos remeter amanhã [20] uma nova orientação do comando nacional para todos os estados, para que as assembleias de greve votem uma contraproposta parecida com a proposta da ministra, que não será a proposta ideal, mas é a possível de ser negociada no momento", disse Cruz. "Devemos abrir mão da nossa reivindicação inicial de 43,7% e protocolar essa nova proposta até a próxima segunda-feira [24]", completou.

A proposta formulada pela vice-presidenta do TST foi rejeitada pelos representantes dos Correios na audiência, sob o argumento de que ela "comprometeria a sustentabilidade econômica da empresa". Sem acordo, o dissídio coletivo deve ir a julgamento na próxima semana. A relatora designada é a ministra Kátia Arruda, da Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST. O tribunal concedeu liminar que exige da Fentect a manutenção pelo menos 40% do efetivo em cada unidade de trabalho, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

Conforme Sebastião Cruz, o principal objetivo seria aumentar o piso da categoria. O salário inicial de carteiros, atendentes comerciais e operadores de triagem e transbordo é R$ 942. Com a proposta de 5,2% feita pela originalmente pela empresa, passaria a R$ 991. Pela contraproposta a ser votada pelas assembleias, subiria para R$ 1.070. "Estamos demonstrando boa vontade desde quando adiamos a greve, na semana passada, e agora, quando, ao contrário da empresa, insistimos na negociação", disse Cruz. "A população precisa ser solidária aos trabalhadores dos Correios."

"Para garantir a entrega de cartas e encomendas à população, a empresa está adotando medidas como realocação de empregados das áreas administrativas, contratação de trabalhadores temporários, realização de horas extras e mutirões nos finais de semana", reiteraram, em nota, os Correios.

Perguntada pela Agência Brasil se a empresa tem recorrido a outras medidas alternativas como o uso de quartéis do Exército, o que já ocorreu em outras paralisações, a estatal respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que "por motivos de segurança, não detalhamos as medidas de contingência".

Em nota, o Sindicato das Empresas Franqueadas de Comunicação do Paraná informou que as cerca de 80 agências franqueadas dos Correios no estado continuarão abertas. "Evidentemente haverá contratempos, mas a recepção de cartas, impressos e encomendas continuará sendo feita normalmente pelas franqueadas", diz o documento.

O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), Luiz Antonio de Souza, declarou que, mesmo com as agências abertas, o que também inclui as unidades próprias dos Correios, o serviço de entrega está comprometido. "Aqui em Curitiba toda a carga de correspondências e encomendas está parada dentro de caminhões, estacionados perto da rodoferroviária", disse Souza, em entrevista à Agência Brasil. "Não adianta postar um objeto na agência se ele não será coletado nem entregue."

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