É na seca, como agora, que o Pantanal revela as interferências que vem recebendo em consequência das alterações ambientais que ocorrem em seu entorno, como o desmatamento, o uso desordenado dos recursos naturais e as barragens para produção de energia. Como reflexo desse desequilíbrio, se acentua a cada ano o assoreamento do Rio Paraguai, que banha a planície de Norte a Sul.
Com níveis de água no alto Pantanal que se comparam aos dos anos de 1960 (0,82 cm, no último dia 15, em Cáceres), quando se registrou um dos ciclos mais intensos de seca, o principal rio do ecossistema está sendo engolido pela concentração acelerada de sedimentos, grande parte do planalto. Fruto do manejo inadequado da agricultura e falta de políticas de proteção dos seus mananciais.
Há dois anos, quando integrou uma expedição científica do Centro de Pesquisa do Pantanal, de Cuiabá, a bióloga Emiko Resende, chefe da Embrapa Pantanal, alertou: “Prevejo um futuro sombrio se nada for feito nas cabeceiras dos rios que deságuam no Paraguai. Me assustei com o assoreamento do Rio Paraguai. Já está parecido com o Rio Taquari (que sofreu desastre ambiental nos anos 80)”.
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