O detento Jailson Alves de Oliveira, que denunciou um suposto plano para matar pessoas ligadas ao assassinato de Eliza Samudio, prestou depoimento na terça-feira para justificar sua fuga do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), em Belo Horizonte (MG), ocorrida no último dia 17 de julho. Na versão de Jailson, ele teria sido ameaçado por um suposto policial civil que queria favorecer o ex-colega Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.
Em julho, Jailson denunciou que Bola teria armado um plano, junto com o ex-goleiro Bruno e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, para matar cinco pessoas, entre elas a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do Fórum de Contagem. Na versão apresentada ontem, em depoimento, o detento afirmou que o policial civil - que não teve sua identidade divulgada - teria lhe dado três opções: se retratar sobre as denúncias, fugir da cadeia ou morrer. Diante das ameaças, ele decidiu fugir do Ceresp. Jailson foi recapturado um dia depois, em Guanhães, no leste de Minas.
Oliveira foi intimado a depor pelo juiz Wagner Cavalieri, da Vara de Execuções Criminais de Contagem. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o magistrado irá analisar se houve falta grave do detento, o que poderia prejudicar a execução de sua pena. Jailson foi condenado a 30 anos de prisão por latrocínio e esteve preso com Bola, de quem teria ouvido confissões sobre a morte de Eliza Samudio.
O processo sobre a fuga será enviado, agora, ao Ministério Público. O juiz também remeteu uma cópia do depoimento para a corregedoria da Polícia Civil, já que há menção a um suposto agente da corporação.