A juiza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem, negou que o primo do goleiro Bruno, que era menor à época do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, seja ouvido no julgamento por videoconferência. A informação foi confirmada pela advogada da ré Fernanda Gomes Castro, Carla Silene Bernardo Gomes. Bruno Fernandes e mais quatro réus vão a júri popular, a partir desta segunda-feira (19), por sequestro, morte, e ocultação de cadavér da jovem, que foi amante e teve um filho com o goleiro.
A juíza indeferiu o pedido do promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro. Ela justifica sua decisão dizendo que o promotor havia substituído a testemunha por outra e que a defesa não havia pedido que Jorge substituísse alguma testemunha dos réus. Além disso, ela diz que, em outro ofício, ficou claro que Jorge não queria colaborar no processo e, na condição de informante, e não de testemunha, ele não seria obrigado a isso, cabendo a decisão apenas à magistrada.
Por fim, ela argumenta que não há tempo razoável para atender ao pedido do MP, uma vez que o jovem se encontra sob proteção, em outro estado.
A advogada da ré Fernanda Gomes Castro, Carla Silene Bernardo Gomes, disse ao G1, que também gostaria de ouvir o jovem durante o julgamento, mas que pretende exibir vídeo do depoimento do então menor em juízo, no ano de 2010.
Jorge Luiz Lisboa Rosa é considerado testemunha-chave no processo, já que contou à polícia detalhes da execução de Eliza, conforme consta no inquérito policial e no processo. Ele cumpriu medida socioeducativa e, atualmente, está inserido no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, segundo o Ministério Público.
Na última sexta-feira (9), o promotor disse que, por medo, Jorge Rosa se recusou a participar do julgamento como testemunha. O pedido para que ele fosse ouvido foi encaminhado à juíza na terça-feira (13).
Nem o promotor, Henry Wagner, nem a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais foram encontrados para comentar sobre o despacho.