Após mais de sete horas, o julgamento do Caso Bruno começou por volta as 16h50. No entanto, somente quatro réus serão julgados: Bruno Fernandes de Souza, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, Dayanne do Carmo e Fernanda Gomes Castro. Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, teve seu caso desmembrado e será avaliado em uma próxima data a ser marcada.
O julgamento separado do ex-policial Marcos Aparecido aconteceu, segundo os advogados de defesa, por uma série de problemas. Uma das primeiras polêmicas apontadas Zanone Júnior, Ércio Quaresma e Fernando Magalhães foi a exclusão de sete jurados. Segundo os defensores, os candidatos ao Conselho de Sentença foram retirados do caso por já terem participado de outro julgamento de Bola, na semana passada, onde o réu foi inocentado do crime de assassinar um carcereiro, em 2000.
"Ela (a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues) não tem o direito de fazer isso. Ela está aqui para julgar, e não para legislar. Eles estão inscritos e podem participar", afirmou Zanone Júnior. Logo após, por vontade própria, os cinco jurados pediram para sair do caso.
Pouco depois, uma nova polêmica entre defesa e juíza aconteceu. O advogado Ércio Quaresma pediu acesso livre, nos computadores da equipe de advogados, aos vídeos dos depoimentos. No entanto, a magistrada negou o pedido e disse: "Vocês tiveram tempo suficiente para separar minuto a minuto o que fosse interessante".
Com todos os acontecimentos, os defensores de Bola confirmaram que deixaram o caso, mas voltarão a defender o ex-policial. "Nós saímos do caso, pois não aceitamos que a juíza leve dessa maneira. Existem 35 reclamações de nulidade. Mas voltaremos. Ele não quer ter outros advogados, nós seremos", afirmou Fernando Magalhães.
Ao ser questionado pela magistrada se gostaria que defensores públicos assumissem seu caso, Bola respondeu que não. Marixa, então, deu 10 dias para que o réu consiga um novo advogado.
Segundo o assistente da acusação, José Arteiro Cavalcante Lima, que representa a mãe de Eliza, essa é uma estratégia dos defensores. Ele afirmou ainda que os advogados estão fazendo de tudo para tumultuar o caso. "Eles estão com medo. Estão morrendo de medo. Estão querendo vencer a juíza pelo cansaço", disse Arteiro.
Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), uma nova data para o julgamento de Bola será marcada somente a partir do dia 16 de janeiro. Até lá, não há vagas para audiências.
A expectativa é que o julgamento dos quatro réus dure de três a quatro dias. Foram escolhidos para o Conselho de Sentença seis mulheres e um homem. A definição se deu por sorteio.