O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, destituiu do cargo Marzieh Vahid Dastjerdi, a ministra da Saúde e única mulher de seu gabinete. O anúncio foi feito hoje pela TV pública iraniana, depois de ela ter criticado os colegas por não liberarem fundos para a importação de remédios.
Nomeada em 2009, Dastjerdi foi a primeira mulher a assumir um ministério no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Embora vista como conservadora, a ginecologista Dastjerdi milita por um aumento na influência das mulheres na sociedade iraniana.
Nas últimas semanas, houve problemas no fornecimento de remédios essenciais para o tratamento do câncer, da esclerose múltipla, de pressão alta e de outras doenças graves. No mês passado, Dastjerdi afirmou que só um quarto dos US$ 2,4 bilhões reservados à importação de medicamentos neste ano tinha sido liberado.
"Remédio é mais essencial do que pão. Tenho escutado que carros de luxo têm sido importados com dólares subsidiados, mas não sei o que aconteceu com os dólares que deveriam ter sido alocados nas importações de remédios", afirmou.
O governo iraniano atribui a culpa pela falta de medicamentos às sanções econômicas impostas pelos EUA e pela União Europeia. Segundo as autoridades iranianas, cerca de 6 milhões de pacientes são afetados pelas sanções econômicas impostas ao Irã devido a seu controverso programa nuclear.
Segundo cifras oficiais, o Irã é autossuficiente em 97% da produção de medicamentos, mas importa produtos de base para fabricar alguns deles.